GOAT é o novo filme da Sony Pictures Animation que promete ser uma história de resiliência, de motivação, de espírito “underdog”. O trailer promete emoção, intensidade e momentos incríveis… mas nem sempre as promessas são cumpridas.
O pequeno Will Harris é um jovem determinado que sonha em ser jogador dos Thorns, uma equipa profissional de “Roarball”, um desporto fictício em tudo semelhante ao basquetebol, mas a sua altura é vista como um impedimento à realização desse sonho. Num jogo onde os atributos físicos dos animais, nomeadamente a força, altura e imponência física, têm muita importância, Will é imediatamente mal-visto para integrar uma equipa de “Roarball”. O protagonista é desacreditado e a sua aparência coloca-o à margem de um jogo que valoriza a vantagem natural. No entanto, isso não desmoraliza Will, que se recusa a aceitar esse destino e luta para alcançar o seu sonho.

O problema de GOAT não está bem na sua mensagem – que é facilmente identificada e percebida mas na sua execução. O filme desenrola-se exatamente da maneira que se espera. Os momentos chave do filme são todos previsíveis e mesmo com uma soundtrack imersiva e moderna, diálogos muito adequados ao falatório corrente das gerações mais novas, humor inteligente e centrado nas características das personagens, nada apaga o desfecho esperado da história e a sua narrativa previsível.
Num filme de desporto, de motivação, de acreditar em si próprio, já é esperado que o protagonista de alguma forma atinja os seus sonhos e consiga ganhar o prémio final e mais importante da competição. Já se espera um certo desfecho. No entanto, a jornada até esse momento pode ser motivacional, pode ser inspiradora, pode-nos colocar on the edge of our seats, enganar-nos e pôr-nos a viver certos momentos com tanta emoção como vivemos um jogo de futebol no conforto do nosso sofá…

GOAT não atinge nenhum desses momentos. Não há exatamente um momento em que estamos ferozmente a torcer pelo nosso protagonista ou a viver um dos jogos colados ao ecrã. O filme não produz emoções genuínas desse género no espectador, falta a tensão, o risco, sendo apenas uma série de acontecimentos encaixados, com momentos que passam a correr.
No entanto, a componente visual merece destaque. A animação de GOAT não se retrai. É vibrante e cheia de personalidade. Os campos onde jogam Roarball são únicos e imensamente criativos e exuberantes, com um design imaginativo que reforça a grandiosidade do desporto. A cidade de Vineland, onde a história se desenrola, tem uma atmosfera quase distópica mas intensamente vibrante.

GOAT, infelizmente, contêm-se. Tem os ingredientes necessários para um filme marcante – protagonista carismático e fácil de gostar, um desporto intenso e um universo visual forte – mas segue um percurso seguro e previsível. É uma experiência agradável, com uma mensagem positiva, mas que se vê de uma forma passiva, sem saindo do cinema sem uma ideia muito memorável do filme.
