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GOAT – Crítica Filme

by Maria João Soares

GOAT é o novo filme da Sony Pictures Animation que promete ser uma história de resiliência, de motivação, de espírito “underdog”. O trailer promete emoção, intensidade e momentos incríveis… mas nem sempre as promessas são cumpridas.

O pequeno Will Harris é um jovem determinado que sonha em ser jogador dos Thorns, uma equipa profissional de “Roarball”, um desporto fictício em tudo semelhante ao basquetebol, mas a sua altura é vista como um impedimento à realização desse sonho. Num jogo onde os atributos físicos dos animais, nomeadamente a força, altura e imponência física, têm muita importância, Will é imediatamente mal-visto para integrar uma equipa de “Roarball”. O protagonista é desacreditado e a sua aparência coloca-o à margem de um jogo que valoriza a vantagem natural. No entanto, isso não desmoraliza Will, que se recusa a aceitar esse destino e luta para alcançar o seu sonho.

© Sony Pictures Animation

O problema de GOAT não está bem na sua mensagem – que é facilmente identificada e percebida mas na sua execução. O filme desenrola-se exatamente da maneira que se espera. Os momentos chave do filme são todos previsíveis e mesmo com uma soundtrack imersiva e moderna, diálogos muito adequados ao falatório corrente das gerações mais novas, humor inteligente e centrado nas características das personagens, nada apaga o desfecho esperado da história e a sua narrativa previsível.

Num filme de desporto, de motivação, de acreditar em si próprio, já é esperado que o protagonista de alguma forma atinja os seus sonhos e consiga ganhar o prémio final e mais importante da competição. Já se espera um certo desfecho. No entanto, a jornada até esse momento pode ser motivacional, pode ser inspiradora, pode-nos colocar on the edge of our seats, enganar-nos e pôr-nos a viver certos momentos com tanta emoção como vivemos um jogo de futebol no conforto do nosso sofá…

© Sony Pictures Animation

GOAT não atinge nenhum desses momentos. Não há exatamente um momento em que estamos ferozmente a torcer pelo nosso protagonista ou a viver um dos jogos colados ao ecrã. O filme não produz emoções genuínas desse género no espectador, falta a tensão, o risco, sendo apenas uma série de acontecimentos encaixados, com momentos que passam a correr.

No entanto, a componente visual merece destaque. A animação de GOAT não se retrai. É vibrante e cheia de personalidade. Os campos onde jogam Roarball são únicos e imensamente criativos e exuberantes, com um design imaginativo que reforça a grandiosidade do desporto. A cidade de Vineland, onde a história se desenrola, tem uma atmosfera quase distópica mas intensamente vibrante.

© Sony Pictures Animation

GOAT, infelizmente, contêm-se. Tem os ingredientes necessários para um filme marcante – protagonista carismático e fácil de gostar, um desporto intenso e um universo visual forte – mas segue um percurso seguro e previsível. É uma experiência agradável, com uma mensagem positiva, mas que se vê de uma forma passiva, sem saindo do cinema sem uma ideia muito memorável do filme.

6/10

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