Cédric Klapisch, realizador da comédia de culto “L’auberge espagnole”, teve com “La venue de l’avenir” um dos êxitos surpresa do cinema francês no ano passado. Agora chegou às salas de cinema portuguesas.
Uma câmara municipal na Normandia deseja aprovar a construção de um supermercado no terreno de uma propriedade abandonada, identificando e reunindo todos os descendentes dos donos para permitirem a compra. Estes descendentes, algumas dezenas que se conhecem pela primeira vez na reunião, delegam a tarefa a um pequeno grupo, que quando entra na propriedade, descobre fragmentos da vida da mulher que deu origem à existência de todos eles.

“La venue de l’avenir” segue assim dois percursos, um no presente e outro no passado. O primeiro núcleo protagonizado por Abraham Wapler, Vincent Macaigne, Julia Piaton e Zinedine Soualem. O segundo por Suzanne Lindon, Paul Kircher, Vassili Schneider e Sara Giraudeau.
Filha dos veteranos do cinema francês Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain, Suzanne Lindon é a revelação do filme, tendo sido recentemente nomeada por este papel ao César de Melhor Revelação Feminina. A sua interpretação é a âncora emocional de “La venue de l’avenir” e o seu maior trunfo, numa interpretação delicada de uma personagem construída a vários níveis, que vai muito além de uma jornada de emancipação feminina.

Este é um filme calmo, humano e sensível, em dois tempos: um deles numa aventura de afirmação pessoal pela Paris do final do séc. XIX (com algumas surpresas para os amantes de arte impressionista) ; e o outro sobre a curiosidade que temos sobre os costumes dos nossos antepassados e o contraste com a nossa contemporaneidade.
Cinema de qualidade sem artifícios e com grande cuidado na reconstrução de duas épocas, em todas as vertentes (argumento, cinematografia, guarda-roupa, direção artística, som…), um dos primeiros bons filmes a chegar este ano às salas de cinema portuguesas.

