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Send Help – Crítica Filme

by Francisco Barreira

Send Help promete uma premissa que não tem muito de inovador, mas é sobre a mesma que é construída uma voluptuosa história de jogos de poder.

Todos nós já ouvimos histórias pelos escritórios de Portugal que ansiamos contar a toda a gente, mas talvez seja mais fácil reunir todos os teus colegas na copa se o teu nome for Linda Liddle (Rachel McAdams). Realizado por Sam Raimi e contando também com o contributo de Dylan O’Brien, o filme mistura drama, tensão psicológica e aquele toque ligeiramente exagerado que Raimi usa como uma das suas mais reconhecíveis características.

As regras são simples: depois de um acidente de avião, Linda e o seu novo chefe Bradley ficam presos numa ilha remota, longe de qualquer possibilidade imediata de resgate. O que começa como uma história clássica de sobrevivência rapidamente se transforma num estudo de carácter sobre culpa, ressentimento e segundas oportunidades. Porque sobreviver à natureza é uma coisa,mas fazê-lo sem confiar na única pessoa que partilha o mesmo fardo é outra completamente diferente.

© 20th Century Studios

Rachel McAdams é o centro emocional do filme. A sua personagem não é uma heroína de ação no sentido tradicional; é vulnerável, frustrada, por vezes egoísta, mas profundamente humana. E é precisamente isso que torna o filme mais interessante do que a típica narrativa de pessoa forte contra o mundo. Há momentos em que as mudanças emocionais de Linda a tornam uma autêntica versão improvisada do Bear Grills.

Visualmente, Send Help tem tudo para deixar a audiência envolvida. A ilha é paradisíaca, banhada por mar azul cristalino, areia branca, vegetação densa,tudo isto sem ter qualquer menção em qualquer tipo de emails que possam passar pelas notícias hoje em dia.

© 20th Century Studios

O primeiro ato constrói bem a tensão inicial: o choque, a desorientação, a tentativa de organização. Depois, o filme abranda de propósito. E aqui é onde Sam Raimi finalmente revela os seus planos para esta obra. Os diálogos são tensos, a desconfiança atua como uma barreira invisível entre Linda e Bradley, e as pequenas discussões revelam mágoas antigas e observa-se uma dinâmica que vai oscilando entre cooperação e conflito.

O argumento joga muito com a ideia de dependência forçada. Quando estás isolado do mundo, não podes simplesmente bloquear alguém ou sair de uma conversa. Tens de lidar. E essa obrigação de confronto direto dá ao filme um peso emocional interessante. Não é apenas sobre sobreviver ao ambiente hostil, é também sobre confrontar a tua bagagem emocional.

© 20th Century Studios

Sam Raimi não quer que se saia da sala confortável com a moralidade da sua obra, quer que se saia meio irritado, meio acelerado, e a questionar porque é que nos sentimos tão tensos durante duas horas a ver pessoas presas numa ilha. É emocionalmente caótico e não dá aquela sensação habitual de que a história foi encerrada. Moral da história: sobrevivência, egoísmo e o som do mar a lembrar que ninguém vem salvar ninguém. Quem diria que poderiam acontecer coisas tão macabras numa ilha?

7/10

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