Se ouviste falar do novo Anaconda e pensaste “ ui, lá vem mais um remake meio manhoso!”, prepara-te: há algumas peculiaridades que o distinguem do típico quasi shot by shot remake .
Escrito e realizado por Tom Gormican, o filme pega na velha premissa da cobra gigante que aterroriza um grupo perdido na selva (no que será um ambiente totalmente novo para Jack Black) e vira-a completamente do avesso. Em vez de apostar apenas no terror do clássico , esta versão segue por um caminho mais moderno, funcionando quase como uma sátira à própria indústria de Hollywood.
Para aqueles que entrarem na sala à espera de um filme de terror/thriller clássico, composto por jump scares, gore e períodos de tensão contínua, é provável que fiquem algo surpreendidos com a leveza de Anaconda. Desde cedo, a intenção torna-se clara: procurar ganhar a audiência com um misto de nostalgia e ataque à obsessão atual por reboots e sequelas. É quase como se o filme estivesse constantemente à procura de aprovação de uma audiência habituada à pouca imaginação que Hollywood tem demonstrado ao longo destes anos.

A história acompanha quatro amigos de meia-idade que, em luta com crises existenciais e frustrações profissionais, decidem embarcar numa aventura que muitos apelidariam de absurda: fazer o remake definitivo de Anaconda na Amazónia.
Para liderar este magnífico projeto, temos Paul Rudd e Jack Black, acompanhados por Steve Zahn e Thandiwe Newton. O resultado é uma mistura de comédia algo disparatada, comentários bastante sarcásticos sobre propriedade intelectual e muitas piadas sobre egos de estrelas e falta de ideias em Hollywood.

Mas será suficiente ? Em parte, sim. Quando o filme assume completamente o seu lado absurdo, é de fácil e confortável visionamento. A química entre Rudd e Black é, sem dúvida, um dos pontos fortes ,visto que traz consigo uma dinâmica de Buddy Movie, que ajuda a encher cenas que por vezes não têm muito mais para dar. Nota-se um companheirismo entre os cast que acaba por ser contagiante.
Onde Anaconda acaba por não ter sucesso é na profundidade do seu guião. Claro que ninguém estava à espera de um No Country For Old Man, mas ainda assim, a história peca por escassa. A verdade é que é mais fácil sacar umas gargalhadas com piadas sobre remakes do que aperfeiçoar a arte dos mesmos. O exagero visual da própria Anaconda acaba por nos transportar um pouco para a realidade dos B Movies, onde quanto maior é a ameaça, maior é o espetáculo.

Se há algo que o filme faz bem, é assumir riscos dentro do seu próprio absurdo. Não tenta agradar a toda a gente, nem se esforça demasiado para justificar a sua existência. É quase como uma experiência: tens de entrar na brincadeira e deixar-te levar.
Anaconda não é o filme mais assustador nem o mais inteligente, mas é provavelmente o único onde podemos ver uma cobra gigante a esfarelar pessoas que acham boa ideia fazer remakes de filmes sobre cobras gigantes. E isso tem de contar para alguma coisa.
