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Eleanor The Great – Crítica Filme

by Maria João Soares

Eleanor the Great (A Grande Eleanor) é o filme que marca a estreia de Scarlett Johansson na realização. Depois da sua estreia no Tribeca Festival Lisboa, chega agora aos cinemas portugueses.

Este filme apresenta-se como inocentemente cómico, profundamente bonito e extremamente comovente. A personagem principal, Eleanor (June Squibb) é uma senhora de 94 anos, amável, cheia de energia, engraçada e vibrante, que foge aos estereótipos comuns sobre envelhecimento, e que vive com a sua melhor amiga, Bessie.

No entanto, quando o tempo de Bessie chega ao fim, Eleanor acaba por ir viver com a filha e embarcamos numa jornada sobre luto, as diferentes formas como o mesmo se manifesta, e as relações humanas, que acabam por ser o elemento fundamental que atenua o sofrimento que o luto pode trazer.

O filme cativa-nos desde o primeiro momento, primordialmente pela atuação carismática de June
Squibb como Eleanor, e mantém-nos focados até ao final, com a introdução de novas personagens e um desenrolar de narrativa simples, contínuo e muito familiar, que dá prioridade à atuação e ao realismo.

É de destacar como o filme joga bem com a comédia e com os momentos mais intensos e dramáticos, mantendo a sala de cinema entretida mas também comovida, dando ênfase aos diálogos intimistas. A atuação de Rita Zohar (Bessie) nos últimos 15 minutos do filme, foi, para mim, a parte mais emocionalmente pesada do filme que me deixou a refletir sobre o lado mais carregado que este filme vai desenvolvendo de forma subtil – a história de uma sobrevivente do holocausto.

O tema da amizade também é importante mencionar como motor da história, pois é um parte central do filme. A ligação que Eleanor desenvolve com Nina (Erin Kellyman) é improvável, mas nasce de uma forma casual e inocente e a sua conexão constrói-se principalmente através de conversas honestas e pequenas confidências.

Existe uma aprendizagem recíproca entre as duas e ambas crescem com a presença da outra, permitindo que cada uma confronte o seu luto. Esta relação é o coração emocional do filme que ajuda Eleanor a navegar a perda de Bessie, e Nina a crescer durante o luto que faz da mãe.

Resumidamente, é um filme delicado e algo melancólico, com momentos de leveza e momentos mais intensos, que nos emociona e nos recorda que as relações que criamos, independentemente da idade, podem ser transformadoras e ajudar-nos a dar sentido à nossa existência.

9/10

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