“Greenland” foi um dos primeiros êxitos de bilheteiras na reabertura dos cinemas após o primeiro confinamento em 2020. “Greenland: Migration” continua a história anos mais tardes.
[Esta crítica será feita a partir do ponto de vista de alguém que nunca viu o primeiro filme. Não me censurem, o primeiro filme (Greenland, 2020) saiu numa altura em que estava para ver tudo menos filmes apocalípticos. As críticas do primeiro filme também não ajudaram em nada a minha vontade de ver o primeiro. E por isso, as minhas expectativas para este segundo foram baixas. Mas não saiam já da sala de cinema, porque este acaba por ser um daqueles filmes que podia existir sozinho, explicando tudo o que aconteceu no primeiro, e faz o espectador sentir que não está a perder nenhuma informação relevante do primeiro filme.]
Esta sequela segue então a família Garrity, 5 anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, numa aventura que os leva da Gronelândia à Europa para conseguirem “uma nova esperança” para as suas vidas, tentando “voltar” a a uma vida “normal”. O filme vai mostrando os diversos desafios que a família enfrenta, desde desastres naturais à crueldade das pessoas egoístas que dificultam a vida de outras pessoas, é o “cada um por si”.

Posso começar por elogiar a realização que acaba por ser um dos pontos mais fortes do filme, ao capturar cenas arrepiantes e catastróficos de uma forma bastante tensa, acompanhadas de um volume sempre acima do normal, o que provoca mais tensão e suspense no espectador. Não consigo contar as vezes que dei um pequeno salto por causa dos momentos surpresas que o filme tinha escondido.
Não chega a ser de terror, mas a minha ingenuidade em pensar que aqueles momentos não poderiam acontecer num filme destes, apanhou-me de surpresa. Este não é apenas um filme de ação, é um filme de esperança e significativo, onde o próprio pai da família, John Garrity (Gerald Butler) assume a função de narrador, dando um ar mais filosófico á narrativa dando mensagens de esperança não só ao contexto do filme, mas ao mundo no geral.

A banda sonora, composta por David Buckley, acrescenta bastante sentimento para cada momento visto em ecrã, e a mistura entre percussão para provocar a tensão e “dobrar” os terramotos e tsunamis, e os sintetizadores é bastante agradável de se ouvir.
Ainda assim, acho que o filme também sofre de “favorecimentos ao guião”, porque apesar de eles por vezes contarem a história de forma calma e concentrada, em outros já estão a apressar momentos e a dar passagens aos protagonistas para favorecer a sua jornada e conseguirem alcançar o objetivo final.
E, pecam no momento que continuam a dar tensão a uma possível morte dos personagens principais, quando na verdade todos sabem que isso não vai acontecer porque a “profecia” do filme tem de ser cumprida e todos têm de chegar “sãos e salvos” ao final.

Concluindo, “Greenland 2: Migration” é uma aventura agradável e surpreendente que desafia algumas tradições dos filmes do género, mas que existe para cumprir um conceito e dar um final feliz. O filme acaba por ser atual, apesar da sua parte apocalíptica, passando ao mesmo tempo lições de moral e proclamando discursos filosóficos que podem ser aplicados aos dias modernos.
