Wonder Man é a mais recente série da Marvel que estreia dia 28 de janeiro na Disney+. Com Yahya Abdul-Mateen II e Ben Kingsley nos papéis principais, esta série promete surpreender por razões inesperadas.
Não vou negar que vi esta série a medo, embora quisesse muito ver que nova proposta era esta vinda dos estúdios da Marvel. Um herói que nunca tínhamos ouvido falar (nos filmes) numa série de 8 episódios que fará parte da Fase 6 da MCU e a meses de sair um Avengers: Doomsday. É inevitável ficarmos reticentes depois de tudo o que a Marvel já nos entregou neste formato.
Mas vou ter de ser honesta convosco. Se procuram a fórmula dos filmes da Marvel nesta série, esqueçam. A série não vos vai entregar cenas de ação como temos sido habituados mas introduz-nos algo diferente: o desenvolvimento de uma personagem, quase como um caso de estudo.

Começamos por conhecer Simon, um ator que só quer conseguir um papel significativo para a sua carreira, até que descobre que vão abrir audições para o remake do seu filme preferido. Contudo, há algo dentro dele que não consegue explicar e que pode mexer com a sua vida.
É durante o processo de audições que conhece Trevor Slattery (Ben Kingsley), também ator (e regressado após o termos visto em 2013 em Iron Man 3 e em 2021 em Shang-Chi), e os dois acabam por criar uma conexão. A partir daí, o que acompanhamos é essencialmente a jornada destes companheiros de atuações, mas de certa forma, destes dois amigos. O bromance deles é delicioso de assistir, porque temos aqui Trevor como uma espécie de mentor e apoio emocional para Simon.

Quanto ao Simon especificamente, temos Yahya Abdul-Mateen II a sair da DC para nos entregar uma personagem misteriosa, determinada e acima de tudo, uma pessoa totalmente normal, até que os seus poderes começam a mostrar-se de forma… intensa. Contudo, tudo isto é gradual.
Como eu disse e reforço, nós temos o desenvolvimento desta personagem como pessoa. Aqui o papel principal não é dos superpoderes. É da frustração que uma pessoa tem ao tentar inúmeras vezes chegar ao seu sonho e não ver resultados, é do orgulho ter de ficar de lado para pedir ajuda, entre outros sentimentos que um ser humano tem e que assolam Simon.
Contudo, os superpoderes estão lá, claro, e têm uma importância. Mas só nos últimos episódios conseguimos ter um vislumbre de para onde é que vai esta personagem (especialmente para quem não a conhece) no mundo da Marvel e mesmo assim, ainda há muito por descobrir.
Se eu acho que série necessitava de 8 episódios para lá chegar? Não. Se consigo desligar o botão da Marvel e pensar nesta série sem qualquer associação ao grande universo? Também não. Mas se souberem saborear a jornada, talvez consigam apreciar Wonder Man pelo que é e não pelo que os fãs querem que seja.
