Premiado em Cannes e nomeado aos BAFTA, “Pillion” é uma bem-vinda proposta arrojada do estreante Harry Lighton.
Jovem realizador britânico nomeado ao BAFTA de Melhor Curta-Metragem em 2018 por “Wren Boys”, Harry Lighton estreia-se agora na realização com um tipo de romance pouco visto no cinema. “Pillion” retrata a história de um agente de parquímetros ainda a viver em casa dos pais, que nos tempos livres canta no bar da vila, aspirando a algo maior. Um dia um atraente e misterioso motoqueiro passa pelo bar e aos poucos uma história de sedução e submissão sadomasoquista começa entre os dois.

Harry Melling e Alexander Skarsgård formam um duo improvável mas verosímil, começando em pontos opostos do espetro da firmeza, em que aos poucos um vai ganhando a confiança que lhe faltava e o outro vai descobrindo uma sensibilidade que nunca tinha vivido.
Outro aspeto interessante é o facto do realizador ter trazido para “Pillion” muitos membros da comunidade motoqueira gay, que foi conhecendo ao longo da preparação do filme, o que acaba por transparecer uma naturalidade na convivência das personagens.

A complementar uma boa realização, elenco e argumento temos uma competente direção de fotografia e montagem, fazendo de “Pillion” um dos melhores primeiros filmes dos últimos anos. Uma grande surpresa que marcou Cannes e as cerimónias de cinema britânico, e que servem de ponto de partida para uma carreira promissora de Lighton.
Um filme sobre um tema inabitual raramente tratado com tanta honestidade, entre ternura e choque, melancolia e humor.
