A primeira série a estrear em 2026 na RTP intitula-se “Refúgio do Medo” e é uma co-produção entre Portugal e Islândia que se apresenta como um thriller psicológico e entrega um primeiro episódio sólido e digno de nota positiva.
O The Golden Take esteve presente na antestreia da série, que decorreu a 14 de janeiro no cinema São Jorge e contou com o elenco e parte da equipa na audiência. Com rodagens em Portugal e na Islândia, a série foi pensada durante 4 anos, desde o momento em que se decidiu avançar com a mesma, até à sua estreia.
O serviço de streaming Islandês recebeu “Refúgio do Medo” primeiro, na plataforma Siminn, e reuniu reações e críticas muito positivas, tendo sido o número 1 das séries mais vistas no país durante 8 semanas consecutivas. Este retorno positivo certamente aumentou a minha curiosidade em torno do projeto, elevando a fasquia para a sua estreia em Portugal.

Este primeiro episódio apresenta-nos as personagens Maria e Anabela, mãe e filha respetivamente, que se mudam para a remota ilha de Vestmannaeyjar na Islândia, o porquê ainda por apurar. Maria trabalha numa fábrica de peixe e Anabela é uma estudante e as suas vidas parecem estar encaminhadas, a seguir um rumo estável… até acontecer a inesperada morte de Maria.
A partir desse momento, uma atmosfera de mistério instala-se na ilha e já neste primeiro episódio semeiam-se suspeitas e intrigas no espectador de uma forma subtil, levando-nos a crer que esta morte, possivelmente homicídio, não vai ser fácil de desvendar e tem por trás mais história do que aparenta.

A série vai alternando entre passado e presente, para nos fornecer conhecimento inicial sobre a vida do duo familiar e perceber a sua dinâmica. Esta escolha de estrutura narrativa exige atenção do espectador, mas funciona para sustentar a tensão crescente e aprofundar mais as personagens. Aliado ao destaque conferido às personagens principais, há a introdução de personagens que prometem ser interessantes e importantes para a narrativa e o final do episódio deixa bem claro que elas não irão ser passivas, conferindo mais camadas a esta história.
Destaco neste episódio também o cuidado na construção da atmosfera, com uma fotografia fria e um ritmo mais pausado, que favorece a tensão psicológica que a série quer cimentar. O episódio encerra de uma forma ligeiramente abrupta, mas relativamente eficaz: Instiga a curiosidade do espectador e afirma-se como uma estreia que se deve acompanhar de perto. Citando Maria João Bastos, que encarna o papel de Maria, a série terá “uma resolução surpreendente”.

“Refúgio do Medo” estreia a 29 de janeiro, às 22h30 na RTP e ficará também disponível no mesmo dia, na RTP Play.
