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“You Don’t Know Jack” – Crítica Filme

by João Pedro

Vencedor de 2 Emmys (Ator Principal em Minissérie/Telefilme – Al Pacino e Argumento de Minissérie/Telefilme) e nomeado em outras 13 categorias, incluindo Melhor Telefilme, “You Don’t Know Jack” é um daqueles originais HBO que entretanto desapareceu da plataforma. À espera de um eventual regresso, aqui fica a crítica de quem já o viu há uns anos.

Eu vou considerar que é fascinante porque, a meu ver, é um trabalho que apela à discussão de um tema que nunca deixa de estar “em cima da mesa”. “You Don´t Know Jack” aborda uma das questões mais polémicas dos últimos anos, a respeito da eutanásia e do direito de uma pessoa poder colocar um ponto final à própria vida. Dr. Jack Kevorkian foi o pioneiro desta “prática”, ao ajudar mais de 130 pacientes a realizar essa vontade. 

Dr. Jack Kevorkian foi uma figura polémica na medicina. É revelador e interessante que, tanto os que o apoiavam como aqueles que o detestavam, referiam-se a ele – respetivamente, com um senso de orgulho e um toque de medo – como Dr. Death.

“You Don’t Know Jack”, de Barry Levinson, conta a história de um homem que, para alguns, é visto como a vanguarda de um movimento não menos sério e nobre do que qualquer uma das grandes vitórias dos direitos civis do passado. Enquanto que, numa outra interpretação dos factos, é considerado um serial killer.

© HBO Films

Levinson e Adam Mazer, o argumentista, clarificam de que lado estão, mas, na minha ótica, não o fazem de maneira óbvia ou didática. Efetivamente, uma abordagem mais partidária teria afundado a história.

Somos apresentados a vários acontecimentos cuidadosamente calculados que ocorreram em cada caso, incluindo uma consulta gravada, a assinatura de formulários de consentimento e a morte real do paciente. Por conseguinte, mostra o que cada pessoa passou juntamente com as famílias, e exalta a perspetiva de Kevorkian.

A dada altura, vemos Kevorkian a rejeitar alguns pacientes, seja porque as doenças em questão não eram suficientemente graves ou porque as pessoas estavam demasiado deprimidas para pensar de forma racional.

© HBO Films

É um grande alívio observar que Levinson equilibra as batatas quentes com equilíbrio, ao apresentar um esforço de realização abrangente com vigor renovado, enquanto mantém uma sensação de paz. O nome “Kevorkian” – por si só – desperta sentimentos e memórias turbulentas, mas “You Don’t Know Jack” mantém um ritmo de descoberta e indignação que vibra durante todo o filme.

É contemplativo, ao destacar o Dr Death como um homem de paixão e ego que estava tão envolvido no esforços de fazer com que a eutanásia fosse um debate nacional, que muitas vezes perdia de vista o que era importante na sua própria vida.

Levinson não venera Kevorkian, até porque a crítica das suas práticas também é claramente discutida. A maneira como ele retrata as pessoas que tem o desejo de proceder à eutanásia é tão comovente, que talvez a única maneira de dar mais nuances ao filme seria entrevistar o Papa, para incluir os oponentes da eutanásia. Mas acho que o Papa também ficaria tocado pelas gravações de vídeo que Kevorkian fez dos seus pacientes.

© HBO Films

Al Pacino interpreta o personagem que dá nome a este filme da HBO, e faz um trabalho absolutamente fantástico. O sotaque do Michigan pode ser um pouco exagerado, mas isso não esconde o facto de Pacino não agir como o médico; não, ele torna-se literalmente aquela pessoa. Por mim, posso dizer que é arrepiante.

A seu lado, temos John Goodman, que é previsivelmente sublime na pele de assistente de Kevorkian e, embora desapareça a meio do filme, Brenda Vaccaro é também notável a retratar a irmã do personagem principal.

“You Don’t Know Jack” apresenta um trabalho sólido, ao fazer com que seja difícil descartar facilmente os argumentos de Kevorkian ou ignorar as enormes ramificações de permitir o fim deliberado da vida. Mas, admiravelmente, reconhece que pensar sobre este assunto, ou incentivar o debate, deve ser desconcertante e pertinente na agenda dos nossos dias.

O sentido do filme está nesta esperança: a teimosia e a imprudência do médico impediram-no de continuar o caminho que empreendeu, mas não deve impedir de nos interrogarmos sobre quais direitos gostaríamos de ver reconhecidos, e talvez analisar, tal como Kevorkian disse, que “morrer não é crime.”

© HBO Films

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