Com “Weapons”, Zach Cregger afirma-se como um realizador a definitivamente ter em conta, repetindo a proeza do bem-sucedido “Barbarian” e sendo um dos casos de sucesso crítico e de bilheteiras deste verão.
Às 2h17 da madrugada as crianças da turma da professora Gandy acordaram, levantaram-se da cama e saíram de casa a correr, sem que ninguém as levasse, sem que ninguém as chamasse. Saíram para o escuro e nunca mais voltaram. No dia seguinte, dezenas de pais acordaram para o terror do desaparecimento dos filhos. E a professora Gandy, ao chegar à escola, depara-se com um único aluno na sua sala. Começa a investigação aos acontecimentos, com interrogatórios à professora e ao aluno, e uma fúria cada vez maior dos pais. Revelar mais seria trair o espectador.

“Weapons” começa e termina como um conto narrado por uma criança, mas pelo meio está organizado numa estrutura de capítulos, saltando do ponto de vista de uma personagem para a seguinte, sempre avançando no tempo, e com reviravoltas e escolhas narrativas cada vez mais inesperadas.
Tudo começa com Julia Garner (vencedora de 3 Emmys pela excelente interpretação de Ruth Langmore em “Ozark”), no papel da professora Gandy, uma personagem frágil que tem de endurecer para provar a sua inocência. Em torno dela, um eficaz e revoltado Josh Brolin, no papel de um dos pais que perdeu um filho e que não desiste de encontrar respostas. Um cauteloso e pacificador Benedict Wong, diretor da escola e protagonista de um dos momentos mais inusitados do filme. E o polícia que se torna mais que um interesse amoroso Alden Ehrenreich.

De destacar ainda a revelação de Cary Christopher (“Days of Our Lives”), o único aluno que não desapareceu, e o jovem Austin Abrams (“Euphoria”, “Wolfs”), que de tanto deambular pela pequena cidade acaba por se ver envolvido no caso. Mas acima de tudo, quem rouba todas as cenas em que entra é a veterana Amy Madigan (nomeada aos Óscares por “Twice in a Lifetime” e aos Emmys por “Roe vs Wade”), no papel da excêntrica tia Gladys, cuja personagem pauta as várias mudanças de género do filme.
Isto porque apesar de todo o mistério e suspense em torno de “Weapons”, o filme revela-se igualmente bom no campo do terror macabro e da comédia absurda. Algo que já fazia parte de “Barbarian”, com os seus três capítulos de AirBnB dos horrores, e que pode muito bem vir a ser a imagem de marca do realizador Zach Cregger se seguir por esta linha.
“Weapons” é assim uma das boas surpresas deste ano, que para além da narrativa e do elenco sólido, destaca-se também pelo bom trabalho técnico de direção de fotografia, edição de som e montagem.
