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The Man Who Sold His Skin: Quanto Vale a Liberdade?

by Tiago Marques

“The Man Who Sold His Skin” conta a história de um refugiado sírio separado da sua namorada durante o início da guerra civil no seu país.

Exilado em Beirute há já um ano, Sam Ali (Yahya Mahayni) procura juntar-se à sua amada (Dea Liane) que agora vive em Bruxelas depois de ter sido forçada a casar com um diplomata rico e mudar-se para a capital belga. Sem meios financeiros ou passaporte que lhe permita fazer a viagem para a Europa, Sam aceita que um conceituado artista plástico lhe tatue as costas e o torne numa obra de arte viva que possa atravessar fronteiras sem os constrangimentos que normalmente seriam impostos a um refugiado. Ao ser exibido em inúmeras salas de museu, Sam começa a perceber que esta nova “liberdade” pode ter um custo que não antecipava.

Este filme marca a estreia nas nomeações para um Óscar de Melhor Filme Internacional por parte de um filme tunisino e também de uma mulher muçulmana, a realizadora Kaouther Ben Hania. Nesta longa-metragem, Ben Hania conjuga três temáticas distintas e apresenta uma narrativa que se passa na interseção entre a crise de refugiados na Síria, uma sátira mordaz da futilidade no mundo da arte e uma história de amor impossível.

O resultado final, infelizmente, não corresponde à visão ambiciosa da sua criadora. Existe alguma dificuldade em estabelecer um tom narrativo consistente ao longo do enredo: um tom que se mostra bastante pessimista-realista durante quase toda a duração do filme, mas que, no terceiro ato, subverte esta tendência de forma pouco habilidosa e deixa o espectador confuso e dececionado com a conclusão escolhida.

A subtileza e o sentido de ironia com que os principais temas do filme são expostos é também muito inconsistente – em certos momentos chegam a fazer lembrar os filmes de Ruben Östlund (“The Square”, “Force Majeure”) mas sem nunca conseguir alcançar a capacidade que este acutilante realizador sueco tem de causar desconforto nos seus espectadores.

Apesar das inconsistências do argumento, os aspetos sonoros e visuais do filme são impressionantes: a fotografia é expressiva no seu uso de cores, com salas e ambientes iluminados (quase) unicamente por cores primárias, inventiva no enquadramento, ao abrir o filme com um elegante jogo de espelhos e perspetiva e há ainda criatividade na maneira como fazem a camuflagem de Sam enquanto este tenta escapar da sua terra-natal.

A banda sonora evoca sensações intensas e inquietantes através de uma combinação atípica de um baixo forte, particular da música eletrónica, com elementos da música clássica, tal como o violino e as suas cordas finas e arrepiantes.

É ainda relevante destacar a performance cativante de Yahya Mahayni que concede carisma e honestidade preciosos ao protagonista Sam, neste que é o seu grande papel de estreia no grande ecrã.

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