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The Killing Of Two Lovers – Crítica Filme

by Ricardo Brito

Estreado em Sundance e nomeado aos Spirit Awards, “The Killing of Two Lovers” é uma pérola rara do cinema independente norte-americano.

A premissa de qualquer peça dramática que envolva um casal é simples: Existe uma separação e uma bonita e crescente promessa de reencontro e reconciliação num final apoteótico.

Estas suspeitas confirmam-se na maioria dos guiões que dão vida a centenas de filmes que partilham os mesmos lugares-comuns e que se abstraem das idiossincrasias dos sofrimentos cegos à vista desarmada da vida real.

Em The Killing of Two Lovers, David (Chris Coy) é um pai de 4 filhos (três meninos e uma rapariga adolescente) que navega o hiato do seu casamento. Após a separação temporária com a sua esposa (Arri Graham) ficou prometida uma tentativa de resolução de problemas para que o matrimónio tivesse algum futuro.

© Neon

Em momento algum existe falta de amor. Amor entre os pais, entre os irmãos ou falta de laços fortes de família que permitam uma despreocupação de quem passa a passadeira sem olhar para os dois lados. O escritor e realizador, Robert Machoian, evidencia, em cada segundo da metragem, que não é o amor que vai salvar o futuro da família de David e tão pouco nos apresenta soluções que possam amenizar o seu sofrimento.

A espaços, este filme, fará o espetador lembrar-se da trama de “Marriage Story”, filme de Noah Baumbach, multi-nomeado e vencedor de um óscar em 2020. Se por um lado apresenta estereótipos dramáticos da vida conjugal semelhantes ao filme vencedor de óscar, por outro lado, “The Killing of Two Lovers” aprofunda os silêncios do sofrimento e centra-se, quase exclusivamente, no olhar da parte do marido e menos na da mulher.

© Neon

Chris Coy apresenta-se a um nível sublime como nunca tínhamos visto. O seu papel é uma autêntica viagem numa montanha-russa de estímulos que são calibrados pela necessidade de estabilizar a relação com os seus filhos e por outro lado não deixar que a sua esposa siga um caminho sem retorno. Todas as suas emoções são alvo de extorsão por parte de cada uma das personagens que nos são apresentadas e nenhuma delas é superficial ou deixa dúvida de que nos é devolvido uma representação que seria impossível de tornar mais realista.

Uma grande particularidade do filme é ser filmado no formato 4:3 com um plano de filmagem muitas vezes contínuo em perseguição ao ator principal. Esta é uma ideia muito bem conseguida e, excecionalmente, trabalhada pelo realizador de forma a ficarmos com uma perceção de enclausuramento e ao mesmo tempo de estar, constantemente, em perseguição de um objetivo muito difícil de atingir.

© Neon

O recheio deste filme está mesmo no seu guião tal como o facto de se encontrar desamarrado das molas de Hollywood que gostam de prender os dramas e romances sempre nos mesmos desenvolvimentos e nos mesmos desfechos. Não há pretensiosismo nem autos morais. A lente da câmara apenas reflete a realidade crua e sem temperos.

Foi um dos filmes da competição do Festival Sundance de 2020 e é um filme obrigatório para ver.

8.5/10

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