The Housemaid (A Criada) é o mais recente thriller a chegar aos cinemas no primeiro dia do ano e é uma adaptação do livro bestseller com o mesmo nome de Freida McFadden.
Apesar do filme só estrear oficialmente em Portugal no dia 1 de janeiro, já há sessões disponíveis para dia 27 e 28 de dezembro.
Esta crítica vai ser feita por uma pessoa que devorou o livro em dois dias. Isto é importante porque quando lemos o livro, há certas expetativas que temos. Mas como nós sabemos, as adaptações de livros para o cinema têm dois caminhos: ou são demasiado fieis e nós não gostamos ou são demasiado fiéis e nós gostamos. Não há um meio termo aqui.

Se quiseres ler o livro antes de ir o filme, é uma possibilidade mas se queres que o filme seja uma surpresa do início ao fim, recomendo que leias o livro depois do filme. Mas lê mesmo, porque o livro tem sempre muito mais a adicionar e é bem mais hardcore.
Eu acabei por gostar bastante do filme e gostei especificamente por ser fiel ao livro, apesar de terem mudado algumas coisas que faz mais sentido com a história que nos é apresentada para o cinema. Mas as mudanças não me fizeram confusão porque aceito que tem de haver sempre algo porque este livro já foi escrito antes da pandemia, portanto já lá vão uns cinco anos, e por isso mesmo é que é importante termos em conta também a altura em que está a ser adaptado o filme.
Quanto ao elenco, até achei que foi muito bem escolhido. Temos Amanda Seyfried no papel de Nina Winchester, Sydney Sweeney no papel de Millie Calloway (a criada), Brandon Sklenar como Andrew Winchester (o marido de Nina) e depois com papéis mais secundários temos Michele Morrone como Enzo (o jardineiro) e Indiana Elle como Cecilia Winchester (a filha de Nina).
A Amanda Seyfried para mim encaixa na perfeição no papel de Nina, porque ela tem aquele charme, mas ao mesmo tempo aquela “loucura” que era precisa para esta personagem, como se nunca soubéssemos bem o que vem aí na próxima cena. Quem leu o livro, se calhar entende o que quero dizer.
No caso de Sydney, estava de pé atrás porque não era alguém que teria colocado neste papel, mas acabou por me surpreender. Ela tem aquele ar mais ingénuo, mas que quando parte um prato… parte a loiça toda. Acho que não há melhor maneira de dizer isto sem te spoilar. A personagem do Brandon é o homem charmoso, o pai perfeito e o marido perfeito, então acaba por encaixar muito bem com a narrativa apresentada.

O filme podia ter perdido a piada para quem já leu o livro, mas quem já leu meio que vai acompanhando, e está sempre naquela de “é agora?” porque também não sabemos o que chegou ao filme. Mas a verdade é que o livro para mim é melhor, porque acaba por ter muito mais contexto de determinadas coisas que se calhar quem viu o filme fica a pensar “porque é que isto está a acontecer?” Qual é a razão para isto”.
No final, o livro consegue ser mais pesado mas também não acho que fosse preciso o filme ir tão a fundo como no material original. Entregam-nos bem a narrativa e já é bom o que vemos para perceber o motivo pelo qual nós gostamos tanto deste livro.
Mas atenção, eu não acho que o livro seja incrível, ou o melhor livro que eu já li na minha vida. Mas realmente ele é muito viciante e fácil de ler. Para além disso, não foi óbvio para mim o que ia acontecer enquanto lia e conseguiu entreter-me.
E o filme consegue fazer exatamente isso, porque nós estamos embrenhados na história e nós a acompanhar o que estas personagens estão a sentir, a tentar descodificar o que está a acontecer e portanto é muito giro ver as coisas a acontecer e vermos as cenas que nós imaginámos a serem transportadas para o grande ecrã.

É sim uma adaptação bastante fiel mas também bastante surpreendente e muito bem feita. Acredito que quem não leu o livro vai gostar, mas claro que não podem ir com a esperança de retirar uma grande lógica, reflexão, ou até mesmo à espera de ver um murder mystery. Não é esse filme. Mas quem está disposto a abraçar este thriller, é capaz de gostar.
Para além disso, é um filme perfeito para ver agora neste final do ano ou no início do ano, porque é leve, mas ao mesmo tempo pesado mas acima de tudo, entretém.
