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The Current War: Fez faísca mas não deu luz

by Beatriz Silva

“A Guerra das Correntes” (The Current War) estreou no Festival de Toronto em 2017 mas devido às alegações contra Harvey Weinstein, o filme foi posto em espera para sofrer um director’s cut. Estreia agora nos cinemas portugueses, dois anos depois e conta com Benedict Cumberbatch, Michael Shannon, Nicholas Hoult e Tom Holland. 

Em primeiro lugar, preparem-se porque o filme já pressupõe que o espectador saiba quem é Thomas Edison, George Westinghouse e Nikola Tesla e decerto que pelo menos os nomes vai reconhecer, como Edison ter sido o inventor das lâmpadas elétricas e o nome Tesla não passar ao lado de ninguém hoje em dia.

O filme foca-se, como o nome bem refere, na que foi apelidada de Guerra das Correntes, que consistiu numa disputa entre Thomas Edison e George Westinghouse (que posteriormente se aliou a Nikola Tesla) pela corrente elétrica que culmina na famosa Feira Mundial de Chicago em 1893.

Enquanto Edison defendia a corrente contínua para se fazer a distribuição da eletricidade para as cidades, sendo essa a utilizada nas suas lâmpadas, George Westinghouse apoiava a corrente alternada, assim como o seu futuro parceiro, Tesla.

“A Guerra das Correntes” tem como ponto forte as representações. Benedict Cumberbatch dá aquele toque mais “arrogante”, teimoso e workaholic de Thomas Edison enquanto Michael Shannon acompanha à altura toda a disputa com o seu George Westinghouse. Quem ficou mais aquém foi realmente Nicholas Hoult com um Nikola Tesla muito indiferente embora a culpa não tenha sido tanta dele, mas sim da relevância que deram a esta personagem.

Tom Holland também teve o seu papel de Samuel, assistente de Edison, onde teve a oportunidade de interagir mais uma vez com o seu colega da Marvel.

Fotografia: Cinemundo

Mas atenção, mesmo com as boas performances dos nomes enunciados, o filme sofre muito com a falta de habilidade em fazer com que o espetador se identifique ou tenha algum tipo de empatia pelas personagens. Queremos saber o que acontece com elas, até porque é bastante interessante perceber como se resolveu a questão da guerra das correntes, nem que seja para um pouco de cultura geral, mas em nenhum momento torcemos por um ou outro lado da guerra, mesmo que o desfecho já seja conhecido (mas pode não ser para o espetador).

A nível de argumento, consegue seguir uma lógica coerente, ou seja, não há saltos demasiado abruptos e percebemos a ligação entre as situações de forma clara, assim como a guerra das correntes a nível histórico. Só que na parte do drama caraterizado aqui pela vida de Edison, torna-se aborrecido porque damos por nós num mar de intrigas, jogos sujos e teimosia constante.

Apesar disso, como o filme retrata, tudo isto ajudou a criar invenções das quais Edison não se orgulhava como a cadeira elétrica, visto que ele defendia que não ia inventar nada que magoasse alguém, assim como outras que foram bastante importantes como o fonógrafo – que foi a maneira de eternizar a voz da sua mulher que morreu de febre tifóide – ou o cinetoscópio que foi aperfeiçoado posteriormente pelos irmãos Lumière para o cinematógrafo e que deu origem ao cinema como o conhecemos hoje.

Fotografia: Cinemundo

Alfonso Gomez-Rejon usou e abusou de planos super diversificados para nos apresentar as personagens, assim como utilizou várias imagens de transição que podiam parecer random mas estavam relacionadas com o que se iria passar a seguir. Pessoalmente, gostei muito da ideia do mapa de lâmpadas para representar esta guerra que foi mais comercial do que outra coisa, porque sempre dava para perceber, através das diferentes cores e ao acenderem, a evolução dos acontecimentos e quem estava a “ganhar”.

No que toca à banda sonora, sinto que foi demasiado tensa e intensa em algumas situações e nem sempre encaixava tão bem como era suposto.

Confesso que estava com algum receio deste filme devido a todo o processo que sofreu para chegar aos cinemas novamente, porém, não posso dizer que não gostei do filme mas achava que ia gostar muito mais do que acabei por gostar, porque com o elenco que tem e com o acontecimento histórico que retrata, tinha tudo para ser um filme a ver novamente.

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