Home Novidades “Sex Education”: Falar de sexo não precisa de ser constrangedor (temporada 1 e 2)

“Sex Education”: Falar de sexo não precisa de ser constrangedor (temporada 1 e 2)

by The Golden Take

Sex Education está de volta à Netflix para a segunda temporada depois de ter conquistado o público em janeiro de 2019. Uma série de comédia mas que fala descontraidamente de um assunto que pode ser constrangedor: o sexo.

Antes de mais, é inevitável dizer que a primeira temporada de Sex Education foi completamente viciante, antes de falar da segunda. Apesar de ser uma série que tipicamente seria mais dirigida a adolescentes, ela acaba por interessar a todos, tendo em conta que aborda temas como o sexo, homossexualidade, relações amorosas e familiares de uma maneira tão descontraída que, quando nos apercebemos, já estamos no último episódio e queremos mais. Mais do que isso, é como consegue ser tão relatable e tão realista. Até porque é normal alguém passar por aquilo que os adolescentes passam na série, seja quem for, como ter inseguranças, dúvidas, indecisões em todos os aspetos da sua vida.

Como estreou na Netflix, a primeira temporada saiu logo toda, o que fez com que fosse também bastante mais fácil fazer maratona da mesma. Agora, estreia a segunda temporada que já era muito aguardada – e a qual já podem maratonar também!

A primeira temporada apresentou-nos a Otis Milburn, um adolescente que se sente uma “aberração” no meio dos seus colegas do liceu, com uma mãe, Jean Milburn que é terapeuta sexual (e que dá consultas em casa) e que, a seu ver, o envergonha (porque ninguém quer ouvir a sua mãe a falar de sexo tão abertamente quanto ela faz),  especialmente sendo ele sexualmente inexperiente. Ele conta com o seu melhor amigo Eric, um adolescente negro que acabou por se assumir como gay, para desabafos e aventuras e na escola conhece Maeve, uma rapariga que adopta uma atitude mais à defensiva em tudo mas que no fundo só quer que não a desiludam.

Depois de Otis perceber que têm um talento a dar conselhos,  muma “clínica” de conselhos sobre sexo, visto que quem sai aos seus… não degenera.

Fotografia: Jon Hall/Netflix

O interessante em Sex Education é que, embora haja toda aquela narrativa que já conhecemos bem dos trios amorosos, problemas com os amigos e familiares, aqui continuamos a ter isso. Porém existe uma aprendizagem e ensinamento de um tema que se calhar não é muito abordado entre os adolescentes: o sexo. Atenção, eu disse abordado, porque, por vezes, não é assunto que seja muito fácil de falar abertamente sobre, embora o pratiquem.

Como tal, a primeira temporada foi uma lufada de ar fresco. Resultou muito bem pelo à vontade a abordar o tema, como já referi, mas também pelas representações fantásticas, pelo argumento e realização.

Se a segunda temporada está à altura? Sim, está! Está porque, agora que sabemos a história e, de certa forma nos ligámos às personagens e torcemos por elas, ficamos ansiosos por saber o que vai acontecer: se vão ficar com as pessoas certas e claro, conhecer novas peripécias da escola de Moordale em relação à sexualidade dos alunos. Há novas personagens, novas aventuras, novos problemas amorosos, familiares e sobretudo, sexuais,  o que faz com que esta temporada mantenha a qualidade da primeira.

Continuamos a ter o foco em Otis mas não só. Conhecemos mais o lado inteligente de Maeve, a aceitação de Eric com a sua homossexualidade e as suas peripécias amorosas, a relação de Jean com Jakob (pai de Ola, atual namorada de Otis) e o que isso gera a termos familiares, mas também continuamos a saber mais da história de Jackson, Aimee, e de algumas pessoas que os rodeiam.

Fotografia: Sam Taylor

As representações continuam fantásticas. Asa Butterfield faz um óptimo trabalho a interpretar o papel de um rapaz que tanto sabe muito sobre sexo, como é super inexperiente no mesmo, mas também a representar uma pessoa tímida que está a começar a ter as suas primeiras conquistas amorosas e pessoais, mas que no fundo, só quer deixar de se sentir uma aberração. Para além disso, a sua relação com a mãe, Gillian Anderson, agarra-nos ao ecrã, visto interpretarem os dois tão bem o papel de uma mãe que o envergonha sem ter intenção de e do filho que só quer que a mãe assente com os pés na terra a nível amoroso e que seja mais empática e menos intensa.

O Ncuti Gatwa é espetacular no seu papel  de Eric, para além de ser mega engraçado. A sua relação de amizade com Otis é genuína e acabamos por torcer muito pela sua felicidade. A maneira como ele se expressa com o seu guarda-roupa e maquilhagem conquista-nos genuinamente e faz-nos sorrir.

Também Emma Mackey continua a brilhar no papel de Maeve, inteligente mas com um feitio aguçado, com uma história familiar complicada, que arranja a clínica para ganhar dinheiro para pagar a renda enquanto esconde o seu talento para a escrita de todos – embora nesta temporada já lute mais pelos seus sonhos e contra as pessoas que a desiludem. E claro, o lado dela mais doce (à maneira dela, claro) também vem ao de cima.

O argumento continua semelhante à primeira temporada: não há tabus, nem rodeios quando se fala de sexo. As coisas têm um nome e é por ele que são chamadas, mesmo que se tenha de falar sobre DST’s, sexo anal, masturbação, ou outros assuntos que podem ser embaraçosos para pessoas de todas as idades. Sim, de todas as idades.

A segunda temporada acaba por ser, também ela, uma lufada de ar fresco visto que rapidamente nos dá vontade de querer ver todos os episódios de seguida, visto ser tão fácil fazê-lo. É divertida em todos os sentidos, tem drama de adolescentes, tem a abordagem a assuntos sérios e importantes sem nunca nos sentirmos constrangidos pelos mesmos. É uma série de aceitação, de auto-conhecimento e de revelação.

Isto tudo para vos dizermos que recomendamos que vejam a segunda temporada. Até podíamos dizer que a vejam o mais rápido possível mas preparem-se porque, assim que a começarem… não vão querer parar até ao último episódio!

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