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Random Take: “Community” e a Arte de Uma Intro

by João Borrega

Todas as séries têm a sua própria introdução. Mas, apesar de algumas serem mais do mesmo todos os episódios, outras tentam mostrar diversidade e criatividade nesta componente. Até onde vai “Community” na arte de fazer uma introdução?

Todo o consumidor de entretenimento televisivo sabe que grande forma de distinção entre uma série e um filme é pelo facto do uso de uma introdução no início de cada episódio. 

Quase como que uma etiqueta, uma introdução é junção de imagens relacionadas com a série em questão e uma música adequada ao tom e tema da série. Para além de ser uma distinção entre entretenimento e cinematográfico, é também uma forma de distinguir as séries entre si.

Seja uma introdução curta e directa como a névoa química de “Breaking Bad” ou uma animação épica de “Game of Thrones”, passando por uma colagem de amizade em “How I Met Your Mother” ou a viagem da personagem principal pela cidade que controla em “The Sopranos”

A introdução é o selo de uma série, sendo que uma boa introdução de uma série deve conseguir transmitir o tom, temática e ritmo da série, de uma forma única e original. Não é tarefa fácil e deve ser respeitada a arte de se fazer uma boa introdução. 

Ao longo dos anos, mais atenção começou a ser dada a introdução, especialmente numa época em que o espectador não tinha a opção de passar à frente como é possível agora com os serviços de streaming. Assim, os criadores começaram a ver de opções para tornar esses segundos cativantes para quem os está a ver. 

Casos disto são as introduções de “FRIENDS” que se alteram de temporada em temporada, mostrando imagens de cenas que virão a acontecer na temporada correspondente. Ou a introdução de “Game of Thrones” que também se alterava de temporada em temporada para nos revelar localizações no mapa ou acontecimentos ainda por explorar. 

Porém, considero que uma das séries mestres na arte de criar uma introdução foi a sitcom de culto “Community”

Rondando os 30 segundos de duração, “Community” apresenta-nos uma introdução divertida e doce, com o tema de escola muito presente entre jogos infantis e desenhos rabiscados para apresentar cada pessoa do elenco. Com uma música alegre a acompanhar, estava perfeita. E, como toque final, uma imagem do tampo da mesa da sala de estudo, com vários elementos em cima dela, simbolizando as personagens principais. 

Porém, o criador Dan Harmon e a sua equipa quiseram ir ainda mais longe e, a roçar o tom metafísico tão presente no argumento, vão alterando a sua introdução quando algo de inesperado acontece. 

A partir deste ponto haverá alguns spoilers sobre o desenrolar da série. Procedam com cautela. 

 

As mudanças começaram a ocorrer nas primeiras temporadas quando queriam destacar algum episódio em especial. Por exemplo, quando o episódio era dedicado ao Halloween, os desenhos das personagens mudavam para seres mais terroríficos. 

Ou quando o episódio era com base numa paródia nalgum elemento de cultura pop, a introdução fazia referência a isso. Por exemplo, quando a base da história do episódio tinha referências de Star Wars ou da trilogia dos Spaghetti Westerns de Sergio Leone

Contudo, nas temporadas 5 e 6, a introdução começou a falar com o espectador de um modo mais subtil. A última imagem da introdução é o tampo da mesa da sala de estudo, com vários elementos em cima dela, simbolizando as personagens principais. 

À medida que havia trocas de personagens e algumas das principais iam saindo da série, ocorreram também alterações nos elementos que estariam em cima da mesa no final da introdução.

O exemplo mais evidente são os óculos da personagem de Chevy Chase, que foram tirados quando ele abandonou a série. Também ocorreram alterações nos lápis e canetas, especialmente o lápis partido a demonstrar que o grupo a que estávamos habituados não estava mais completo. 

Quando veio a última temporada, também ocorreram alterações, sendo a mais evidente a do copo de café ter sido substituído por um copo de vidro com pedras de gelo, simbolizando o crescente vício da personagem de Joel McHale com o álcool. 

Isto são apenas alguns exemplos de como a intro de “Community” tenta comunicar com os seus fãs mais atentos e demonstrar que existe uma corrente de criatividade a cada segundo dos 20 e poucos minutos de duração de cada episódio. 

Nem todas as introduções de séries são esplêndidas. Nem todas merecem ser visto vezes e vezes sem conta, porque não passam do mesmo. Porém, de vez em quando, aparecem séries como “Community” que se esforçou por tornar a sua intro renovada e interessante a cada episódio. E isso deve ser celebrado.

 Para a próxima, quando estiver no sofá a ver uma série, não carregue no “Saltar Introdução”. Às vezes pode ser surpreendido.

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