Num ano que já nos trouxe cinema brasileiro de grande qualidade como o oscarizado “Ainda Estou Aqui” e filmes como “Manas”, “Vitória” e “O Último Azul”, chega agora um dos mais aguardados na corrida aos próximos Óscares, “O Agente Secreto”.
Depois de alcançar um reconhecimento mais global com filmes como “Bacurau” e “Aquarius”, o brasileiro Kleber Mendonça Filho está de volta com outra grande obra, premiada no Festival de Cannes com melhor realização e melhor ator, bem como o prémio FIPRESCI dos críticos de cinema e o prémio Cinémas d’Art et Essai da associação de exibidores independentes.
Passado em 1977, durante a ditadura militar no Brasil, “O Agente Secreto” segue um professor universitário da área das tecnologias, que se encontra em fuga de capangas do regime, fugindo de São Paulo para Recife. Mas a sua terra natal já não é tão segura como antigamente e os assassinos a soldo seguem no seu encalce.

Com uma carreira pontuada por grandes papéis como no díptico “Tropa de Elite” e na série “Narcos”, Wagner Moura tem aqui uma das suas personagens mais sensíveis e profundas, colocando a sua vida em risco para fazer o que é correto e garantir um melhor futuro para o seu filho.
A outra grande força do filme é claramente a formidável Dona Sebastiana, interpretada por Tânia Maria, atriz idosa que transmite uma força interior incrível, descoberta há uns anos pelo realizador e que tem aqui um verdadeiro papel como responsável pela casa segura que refugia os inimigos do regime.

“O Agente Secreto” tem de tudo: suspense, emoção, humor, num estilo visual que parece saído de uma novela gráfica, e que consegue ser um forte retrato da realidade destas pessoas perseguidas apenas por defenderem os direitos humanos.
