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It Was Just an Accident – Crítica Filme

by Miguel Revel

Arriscando um regresso à prisão, Jafar Panahi realizou “It Was Just an Accident” em segredo nas ruas de Teerão e o resultado é poderoso.

Todos os anos há um filme no Festival de Cannes que me arrebata. Um filme com algo mais, algo de especial, que vai além de um bom momento de cinema. Este ano esse filme foi para mim “It Was Just an Accident”, o merecido vencedor da Palma de Ouro.

Jafar Panahi tem uma longa carreira de grandes filmes a desafiar as convenções e sobretudo o regime iraniano. Com a sua mais recente obra tornou-se apenas 1 de 2 realizadores (o outro é o lendário Michelangelo Antonioni) a vencer o prémio principal dos quatro grandes festivais europeus: Palma de Ouro em Cannes, Leão de Ouro em Veneza, Urso de Ouro em Berlim e Leopardo de Ouro em Locarno. E como cereja no topo do bolo, “It Was Just an Accident” é um dos melhores, senão mesmo o melhor filme da sua carreira.

© mk2 Films

O retrato de uma jornada que poderia ter sido apresentada de forma extremamente dramática, mas à qual Panahi decide dar um toque de humor ao trauma coletivo que ele próprio experienciou. Um filme imaginado ao longo do duro período que passou na cadeia, enquanto resistia às práticas de tortura do seu captor.

O filme segue assim um grupo de iranianos que acabam unidos por um simples acidente que os colocou mais perto de confrontarem o homem que os torturou durante anos na prisão. Um mecânico, um casal de noivos, uma fotógrafa e o seu ex-companheiro têm de decidir o que fazer e sobretudo descobrir se se trata verdadeiramente da pessoa certa, uma vez que na prisão tinham sempre os olhos vendados.

Um conto que diz muito sobre a dor, a injustiça e a redenção na humanidade.

10/10

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