Ice Merchants – Crítica Filme/Curta-Metragem

Ice Merchants é o primeiro filme a ser nomeado para uma categoria dos Oscars em toda a história cinematográfica Portuguesa. João Gonzalez é o responsável por esta conquista, tendo dirigido, escrito e feito a banda sonora desta curta-metragem.

O filme conta-nos o cotidiano de uma família, apenas constituída por um homem e um filho. Estes, saltam de paraquedas todos os dias, da sua casa na montanha presa no alto de um precipício, para se deslocarem à aldeia que se situa na planície mais abaixo, onde vendem gelo que produzem durante a noite.

O filme começa, na minha opinião, de uma forma incrível. A história que contam logo no inicio para introduzir o espetador ao contexto narrativo da história, e a transição para a apresentação do nome do filme juntamente com a banda sonora são uma combinação perfeita. É preciso também ressaltar que os planos de “câmera” no “primeiro” salto visto dos dois é mesmo algo inacreditável que só complementa o facto de a animação estar tão boa e bem realizada.

No entanto, o grande destaque mesmo desta curta-metragem, é sem dúvida a banda sonora. Uma linguagem poderosa que guia a história em todos os seus momentos, que nos conta a própria história apenas com notas e sem precisar que os personagens o façam. O design e a direção do som também estão bastante bem conseguidas. Os detalhes de cada movimento dos personagens, desde a pegarem num saco de moedas, a encherem um balde de água ou até mesmo nas partes em que a criança anda de baloiço, são uma alegria para todos aqueles que amam este lado sonoro.

A história em si é comovente, fala-nos de uma família que perde a figura materna e o lado de sobrevivência do pai e do filho em resposta a isso. Somos apresentados a vários elementos poderosos que nos fazem sentir a tristeza, a mágoa e a saudade que estes personagens sentem sem a “mãe/esposa”. Esta saudade também se revela depois dos personagens terem a sua casa destruída apenas por um simples acidente natural e serem obrigados a saltar uma última vez, mas desta vez sem paraquedas, e aparecer (apenas para o espetador) a figura da mãe revestida a amarelo.

Também podemos entender um padrão de cores neste filme. O pai, aparece de laranja, a mãe de amarelo e o filho… Com um laranja mais amarelado.

A minha parte favorita do filme, é mesmo o significado que a pilha de chapéus apresentada no final representa e conta tanto sobre a vida desta família.

O filme pode ser encontrado em vários cinemas portugueses espalhados em todo o país.

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