Home Estreias “Harry Potter and the Order of the Phoenix”: Foi uma tolice vires aqui esta noite, Tom.

“Harry Potter and the Order of the Phoenix”: Foi uma tolice vires aqui esta noite, Tom.

by João Pedro

Neste quinto passeio cinematográfico, a saga “Harry Potter” subiu de nível. Além de proporcionar uma aventura independente e tranquila, “Harry Potter and the Order of the Phoenix” começa a unir o éter épico construído nos primeiros quatro filmes (especialmente nos dois anteriores). Com esta longa-metragem, sentimos que estamos à beira de algo em grande, mas ainda mais ameaçador. 

“Order of the Phoenix” foi o primeiro filme de “Harry Potter” que não recebeu a adaptação de Steve Kloves. O argumentista haveria de voltar em “The Half-Blood Prince”.

Por conseguinte, no quinto filme, surge o trabalho de Michael Goldenberg. Ele conseguiu simplificar o romance inexoravelmente extenso, num compacto de duas horas e dezoito minutos. Certamente, perderam-se muitos pormenores, mas, a meu ver, o filme consegue ser fiel, mas não de forma servil, ao livro.

Para aqueles que nunca leram os livros, e que só conhecem “Harry Potter” a partir da encarnação cinematográfica, vão encontrar aqui um argumento lúcido e veloz. Não há necessidade de proceder à leitura do livro, para a compreensão essencial da trama. Porém, como sucede em relação a qualquer adaptação, o filme priva o espetador de boa parte da magia.

A única maneira de se fazer justiça a todos os detalhes dos livros, seria transformá-los numa série de televisão, sendo que, cada ano em Hogwarts, seria uma temporada.

David Yates foi o quarto homem a ocupar a cadeira da realização da saga (para o homem e para o mal, a franquia não voltaria a contar com um realizador diferente), começando por  “Order of the Phoenix”.

Dos quatro realizadores envolvidos na conceção dos filmes, Yates é o que tem o currículo mais “pobre”, tendo passado a maior parte da sua carreira a trabalhar na televisão britânica. A sua visão do mundo de “Harry Potter”, é muito parecida com a de Mike Newell (“The Goblet of Fire”).

Neste filme, as linhas de batalha estão a ser traçadas, com Lord Voldemort (Ralph Fiennes) e os Devoradores da Morte de um lado, e Harry Potter (Daniel Radcliffe) e os amigos do outro.

Harry é apoiado pelos colegas, Ron Weasley (Rupert Grint), Hermione Granger (Emma Watson), Cho Chang (Katie Leung), Luna Lovegood (Evanna Lynch) e Ginny Weasley (Bonnie Wright), mas também por adultos, como Dumbledore (Michael Gambon), a professora McGonagall (Maggie Smith), o professor Moody (Brendan Gleeson) e Sirius Black (Gary Oldman).

Contudo, há quem desconfie de Harry. Nem todos acreditam que o Senhor das Trevas regressou. O Ministro da Magia considera que, efetivamente, o boato não passa de pura conspiração. Deste feita, envia Dolores Umbridge (Imelda Staunton) a Hogwarts, na pele de Inquisidora, para resolver a situação.

Depois de usurpar a posição de Dumbledore, Umbridge tenta neutralizar Harry. Mas as forças do mal estão cada vez mais perto, e o jovem concentra esforços para ensinar os colegas a evitar males maiores. Umbridge pretende colocar um ponto final em qualquer plano que Harry possa ter, e, ao mesmo tempo, os planos de Voldemort criam raízes.

A história tende a focar o desenvolvimento dos personagens, que estiveram em evidência ao longo da saga. Harry experimentou o seu primeiro beijo. O filme nunca ameaça transformar-se num mero romance, mas destaca que os personagens não são meros robôs amestrados, e que não se limitam apenas a recitar palavras em latim ou a domesticar gigantes.

No centro da história, não está só a luta contra Voldemort, mas a amizade entre Harry, Ron e Hermione. Eles agora são adolescentes, interagem de maneira diferente do que nos filmes anteriores, e a passagem dos anos fortaleceu os laços.

Michael Gambon, Maggie Smith, Ralph Fiennes, Emma Thompson e Alan Rickman juntam-se então às estreantes, Imelda Staunton e Helena Bonham Carter. Neste filme, Rickman provou mais uma vez que a ambiguidade pode ser mais assustadora do que a maldade pura. Todavia, quando se trata de gerar ódio incomparável ao público, ninguém o faz melhor do que Imelda Staunton, na pele da inconfundível Umbridge.

Inexoravelmente, no início do filme, existe uma cena, cuja duração ronda o minuto e meio, que ilustra vários pontos importantes que merecem ser abordados.

O primeiro ponto tem a ver com o processo de adaptação. O segundo incide na astúcia de conseguir criar-se uma saga de filmes. O terceiro está relacionado com o facto de “Order of the Phoenix” ser apreciado (ou não) pela indústria dos prémios.

A cena em questão diz respeito ao momento em que Harry é levado por vários membros da Ordem da Fénix, para Grimmauld Place. A cena demonstra que a fidelidade absoluta ao material original, não é uma obrigação completa.

No livro, esta cena não é particularmente dramática. Existem várias conversas sobre o processo, e como é que Harry deve ser transportado. Obviamente, todos estes detalhes fazem sentido, devido à importância e do perigo de transportar Harry, e manter em segredo o seu destino final.

Só que esse foco perde-se na adaptação. Acontece tudo muito rápido. Existe a cena dramática da viagem (o que funciona muito bem no filme) e a brincadeira do voo, com Harry e Tonks a sobrevoarem o Rio Tamisa de forma alegre.

No livro, Lupin é um desses “guardas avançados” (uma vez que já conhece Harry), mas, no filme, o personagem é guardado para a cena em Grimmauld Place, que funciona perfeitamente. O personagem fica a sorrir, enquanto Harry e Sirius dão um abraço caloroso. É uma cena maravilhosa para ser feita em cinema. Sim, não é nada parecido com o que está no livro, mas, por ser tão bem executado, é uma escolha muito mais preponderante do que dramatizar simplesmente o que está, preto no branco, espelhado no romance. É uma escolha. É um risco. E, por norma, se me permitem fazer uso desta gíria popular, “quem não arrisca não petisca”.

O segundo ponto a destacar vai, de facto, ao encontro da passagem do tempo. E, neste aspeto em concreto, abordo a passagem do tempo através da banda sonora da saga. “Harry Potter” teve a honra de receber o trabalho de John Williams, referente à banda sonora dos primeiros filmes. Contudo, o compositor abandonou o projeto após o terceiro filme, dando espaço a outros profissionais.

Todos eles fizeram um bom trabalho, mas, para mim, a melhor banda sonora “pós-Williams” é a do quinto filme, composta por Nicholas Hooper, sendo que, referente a esse todo, nenhuma música consegue ser tão sublime quanto “Flight of the Order of the Phoenix”.

A música só dura um minuto e trinta e dois segundos, mas é emocionante. De forma exequível, conseguimos sentir a alegria de Harry enquanto sobrevoa Londres. Muitos dos membros do elenco permaneceram ao longo dos anos, mas a equipa técnica foi alterando, e os resultados foram notáveis.

Por fim, o terceiro ponto é voltado especificamente para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. “Order of the Phoenix” não recebeu quaisquer nomeações ao Oscar.

A meu ver, a banda sonora de Nicholas Hooper consegue ser melhor do que alguns dos nomeados desse ano, salvo exceção de “Atonement” e “Ratatouille”.

Os efeitos sonoros da produção, foram ignorados em favor do ruído excessivo de “Transformers”. E embora, felizmente, os efeitos de “Transformers” não tenham arrecadado a estatueta, a Academia considerou relevante homenagear a engrenagem dos robôs, em favor de um trabalho consideravelmente superior.

No que toca à categoria de caraterização, até percebo que “La Vie en Rose” e “Pirates of the Caribbean: At World’s End” surgissem nomeados, e, provavelmente, qualquer um deles venceria “Order of the Phoenix”. Não obstante, tenho dificuldade em perceber como é que “Harry Potter”, nesta categoria, perdeu a oportunidade de ser nomeado para “Norbit”, esse projeto inovador e resplandecente, onde Eddie Murphy surge reinventado num formato já demasiado gasto e até ridículo.

Mas enfim, nada disso pode esconder o olhar de felicidade nos olhos de Radcliffe e Oldman, quando contracenaram juntos. Ou a maneira inteligente de mudar o panorama, para que o infortúnio sobre os pais de Neville fosse revelado. Ou o aceno simpático que Radcliffe faz, quando Hermione diz: ““I’m sure that Harry’s kissing was more than satisfactory.”. Ou a simples ironia de que os três piores professores de Hogwarts – Lockhart, Trelawney e Umbridge, foram interpretados por Branagh, Thompson e Staunton, bons amigos que trabalharam juntos em “Peter’s Friends” e “Much Ado About Nothing”.

Harry está mais irritado, mais perdido, mas mantém-se sozinho. Ron e Hermione estão na retaguarda. Neville cresce em importância, e a introdução de Luna Lovegood é oportuna. Definitivamente, é a subida de um degrau importante para a chegada ao clímax.

 

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