Home Estreias “Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2”: Always!

“Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2”: Always!

by João Pedro

Após dez anos e oito filmes, as aventuras cinematográficas de “Harry Potter” chegaram ao fim, em “Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2”. A parte final da saga, bifurcada para evitar a exclusão de cenas primordiais do livro, é, desta feita, bastante adequada. Quatro horas e trinta e sete minutos, seria uma linha de tempo desmesuradamente excessiva para apresentar “Deathly Hallows” num todo. Não obstante, duas horas e dez minutos é a duração perfeita para a Parte 2.

Os esforços de Harry (Daniel Radcliffe), Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) para localizar os horcruxes, farão com que Voldemort (Ralph Fiennes) fique cada vez mais vulnerável. Ao mesmo tempo, O Senhor das Trevas tenta deitar a mão à varinha mais poderosa do mundo, enquanto usa o seu exército para dominar a comunidade mágica, inclusive Hogwarts, cujo o novo diretor é Snape (Alan Rickman).

O argumentista, Steve Kloves, que adaptou seis dos sete livros, e o realizador David Yates, que realizou os quatro filmes finais, mudaram vários detalhes nesta adaptação. Eles mantiveram alguns dos principais momentos do livro (como o caso em que a Mrs. Weasley tem, por uma fração de segundos, uma fonte de inspiração em Ellen Ripley, de “Aliens”), mas desvirtuaram algumas cenas.

Em relação à Batalha de Hogwarts, eles não seguiram a fórmula de Peter Jackson com a Batalha de Helms, nas profundezas das Duas Torres (“Lord of the Rings: The Two Towers”), e expandiram-na além do que surge nas páginas escritas.

A Batalha de Hogwarts é revelada aos pedaços, mas permanece, em grande parte, no segundo plano, enquanto que a história fica concentra nas tentativas desesperadas de Harry em encontrar um dos últimos horcruxes de Voldemort.

O confronto de Snape no Salão Principal; a cena da morte na Casa dos Barcos ao invés de ser na Casa dos Gritos; o primeiro beijo entre Ron e Hermione sem ter Harry como testemunha; a derradeira Batalha Final a ocorrer no pátio, e não no Salão Principal, com a escola inteira a servir de testemunha. Sim, todas estas cenas foram desvirtuadas, mas permaneceram fiéis ao espírito do livro. Os personagens permanecem verdadeiros, mesmo quando o diálogo é diferente.

Podemos argumentar que o conflito final entre Harry e Voldemort é anti-climático, mas isso reflete o material de origem. A adição de pirotecnia poderia ter criado uma conclusão mais espetacular, ou, simplesmente, poderia ser mais digno não transformar Voldemort em pó. Mas isso nem importa muito. Como enfatiza a busca pelos horcruxes, derrotar Voldemort não é um evento único; é um processo.

Tal como sucede em muitas outras histórias de fantasia, a demanda (ou a aventura) importa muito mais do que o destino. É quase impossível que a convergência do bem e do mal atenda às expectativas. A meu ver, o que importa é que a história foi contada com clareza e lealdade ao livro, e resolve um conflito que fervilhou durante uma década.

E basta abordar uma cena em particular – quando Harry interage com Neville e Ginny nas escadas. Neville está louco por Luna. Depois, temos um beijo rápido entre Harry e Ginny, e o seu  “I know”, quando ela percebe que Harry ainda tem trabalho a fazer.

A primeira parte não está no livro, embora faça todo o sentido. A segunda parte nem estava no argumento, mas foi uma ideia que David Yates teve, visto que, na sua visão, servia de encaixe no momento.

Grande parte desta saga cinematográfica, também incidiu neste compromisso. Manteve-se fiel aos personagens, não apenas como eles foram desenvolvidos originalmente nos livros, mas também como foram desenvolvidos ao longo dos sete filmes.

Muitos dos pináculos brilhantes e arcos góticos de Hogwarts, são agora reduzidos a ruínas e cinzas, proporcionando um campo de batalha apocalíptico. É uma última reunião em prol do regresso de dias felizes, mesmo que isso signifique o sacrifício de vários personagens queridos.

Por conseguinte, é também a reunião de vários personagens que conhecemos ao longo dos anos. Foram tantos os atores britânicos distintos que desempenharam papéis nos filmes de “Harry Potter”, que aqueles que não o fizeram podem ficar ressentidos.

Aqui, reencontramos personagens indispensáveis ao enredo, como Bellatrix Lestrange, Rubeus Hagrid, o professor Dumbledore, Ollivander, Lucius Malfoy, Sirius Black, Severus Snape, Remus Lupin e até a professora Minerva McGonagall, que é chamada para convocar poderes e proteger Hogwarts de Voldemort.

Por vezes, os três protagonistas conseguem ser ofuscados pelos personagens secundários. Maggie Smith, Helena Bonham Carter, Michael Gambon, Alan Rickman e Ralph Fiennes roubam algumas cenas, num conjunto de performances magistrais.

Este filme, entrega um certo nível de ênfase para os efeitos especiais e para a aparência. A escuridão é necessária para estabelecer o tom. A decisão de fazer uma conversão em 3D de pós-produção foi, sem dúvida, a escolha mais desaconselhada para este filme.

O 3-D não é apenas desnecessário; é desleixado e serve apenas para danificar a experiência geral de ir ao cinema. Aqui, a experiência confiável do 2-D é, inexoravelmente, a melhor opção.

Na minha ótica, o 3-D nunca funciona bem em filmes escuros, visto que o reduz a um punhado de imagens borradas e sujas. Eu, que vi este filme em vários formatos, posso garantir que, em 3-D, surgiram momentos em que os efeitos pareceram desmesuradamente forçados e artificiais.

Em suma, esta obra marcava a “despedida”. Chegava a hora de dizer adeus a Mr. Potter, cujas aventuras cinematográficas tornaram-se uma maneira confiável de marcar a passagem dos anos.

Tal como Harry, muitos dos seus fãs mais dedicados cresceram, e o lançamento de “The Deathly Hallows Part 2” acabou por servir de motivo para uma curiosa justaposição de alegria e tristeza. Alegria, visto que a história foi contada na íntegra no cinema. Tristeza, por não haver mais.

O epílogo, cuidadosamente adaptado do livro, fornece uma nota de encerramento que um projeto desta magnitude merece.

Isto é importante, porque uma obra com a extensão de “Harry Potter”, merece um ponto final adequado, que não deixa de ter um travo de sabor amargo.

A saga vive para ser apreciada, sendo que todos podemos voltar a sentir a magia no conforto das nossas casas. Hogwarts estará sempre presente para nos receber. “Harry Potter” vive no coração dos que guardam um baú de memórias ancoradas no rapaz com a cicatriz em forma de raio, e também no subconsciente daqueles que ainda não o conhecem.

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