Um dos maiores êxitos de bilheteira de 2025, “F1: The Movie” chega a 12 de dezembro à Apple TV+. Uma oportunidade para (re)descobrir o blockbuster que coloca Hollywood ao volante.
Desde o primeiro frame que se torna evidente a intenção de Joseph Kosinski (Top Gun: Maverick), em conquistar o público através da magnitude da produção. As câmaras estão tão próximas do asfalto que quase sentimos a borracha a voar dentro da sala. Cada sequência de corrida é filmada com um nível de detalhe técnico e artístico impressionante, recriando a tensão, a vibração e a velocidade da Fórmula 1 de forma quase sensorial, com uma apresentação orientada para o grande ecrã.
A narrativa segue uma fórmula clássica e segura: o veterano que teme perder o lugar para a nova geração (Sonny Hayes), e o jovem prodígio que chega carregado de ambição e vontade de provar o seu valor ao mundo (Joshua Pearce). Felizmente, o argumento consegue recuperar do cliché inicial da rivalidade destrutiva, optando, na segunda metade,por explorar a importância do trabalho em equipa, sem a qual a APXGP poderia encerrar as suas portas em breve. Há tensão, claro, pois sem ela não há corrida nem cinema, especialmente pela omnisciente presença do diretor de equipa Ruben Cervantes (Javier Bardem), que exerce uma pressão incessante nos seus pilotos para apresentarem resultados.

Este filme não nasceu para ser o Rush. Apesar do amor e respeito que demonstra pela Fórmula 1, a sua identidade como blockbuster nunca foi posta em causa. Joseph Kosinski queria dar espetáculo, e encontrou neste desporto palco perfeito para o fazer. Decerto que os fãs mais versados terão notado nalguns exagerozinhos aqui e ali. Porque raio é que o Sonny Hayes exigiu pneus macios se o plano dele era bater nos adversários para garantir pontos ao companheiro de equipa? Quem acompanhou a carreira do Kevin Magnussen, sabe que isso pode ser feito com todos os tipos de pneus.
Depois há o acidente exagerado em Monza e algumas pequenas regras que são ignoradas de vez em quando. Mas tudo isto é justificado pelo produto final. Um filme cativante que tem no seu público alvo mais do que só os fãs de Fórmula 1.

De notar as breves aparições de muitos dos pilotos e team principals no filme. Em varias ocasiões é possível avistar nomes como Lewis Hamilton, Max Verstappen ( que certamente trocaria 2 dos seus títulos mundiais para não ter de aparecer), Lando Norris entre outros.
São pequenas contribuições, mas têm um impacto gigante na imersão que Kosinski quer passar para a grande tela. O facto de boa parte da ação ter sido gravada em fins de semana de corrida, com a participação de algumas equipas confere a F1 um grau de realismo que vai ser difícil de igualar.
No seu cerne, F1 serve para nos lembrar de que a vida, como uma corrida, é feita de riscos e recompensas. Um filme que não conta apenas histórias de velocidade, mas que fala também do instinto humano de querer chegar sempre mais rápido, mais longe e, acima de tudo, em primeiro lugar.

