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Especial Aniversário: 80 anos de Al Pacino

by João Pedro

Alfredo James Pacino celebra hoje o seu octagésimo aniversário. Por conseguinte, não poderia deixar de homenagear este ícone do cinema, ao recordar algumas das suas performances que tenho como prediletas.

Al Pacino é um dos melhores atores da sua geração. Faz a representação parecer fácil, ao tornar os seus personagens interessantes e em indivíduos multifacetados. Nunca escolhe a opção mais fácil ou a caricatura cliché. 

Durante uma carreira de 50 anos, Al Pacino singrou nos três grandes desafios da representação: cinema, televisão e palco. Ganhou um Óscar, dois Tony Awards por trabalhos na Broadway e dois Primetime TV Emmy Awards.

  • “Serpico” (1973)

Na condição de jovem puramente decente e honesto, Frank Serpico junta-se à força policial de Nova Iorque, para fazer o bem, servir e proteger. 

Fica atordoado com a quantidade de corrupção ao seu redor e, quando sobe de cargo, para assumir a função de detetive, ainda fica pior. Os seus colegas eram corruptos, e ele tem coragem de falar, colocando a sua vida em perigo. 

De repente, os seus pedidos de apoio são ignorados. Não recebe assistência ao prender infratores violentos e acaba por ser baleado. Serpico acaba por reformar-se cedo, para a sua própria proteção. 

Pacino desliza sob a pele deste polícia aparentemente cansado do mundo, e não faz o papel, torna-se o homem em questão.

  • “The Godfather: Part II” (1974)

Simplesmente notável, tanto o filme quanto Pacino. O seu trabalho, como Michael Corleone, deveria ter-lhe rendido um Óscar. Ao retratar a fúria contida, irradia perigo ao longo do filme, e os seus silêncios são mais assustadores do que qualquer coisa que possa dizer. 

De olhos mortos, desprovidos de compaixão ou amor, vive num mundo de negócios, ou por outra, num império criminoso que construiu. Moralmente corrupto, tornou-se uma vítima do próprio mundo, que é corrompida pelo poder absoluto. 

Michael faz coisas indescritíveis neste filme, porém, continua a ser um herói trágico de Shakespeare, porque sabemos o que era antes, ou seja, recordamos como tudo começou. 

A par dos crimes mais cabais de Michael, o pior foi mesmo Al Pacino não ter ganho o Oscar por este papel. Nunca um ator voltou a irradiar tanto perigo, somente através do simples facto de estar presente. 

  • “Dog Day Afternoon” (1975)

Neste desempenho imponente de ladrão de bancos, Pacino é brilhante. De fato, há quem afirme que esta foi a performance da sua carreira.

Ele interpreta Sonny, um perdedor otimista que decide assaltar um banco para conseguir dinheiro para a operação de mudança de sexo de Leon, o seu amante. 

Pacino domina o filme, conversa alegremente com o exército de polícias que se reuniram no local, trabalha com a multidão, ama cada minuto da sua grandeza, mas, no banco, fica aterrorizado. 

O filme é trabalhado apenas em algumas cenas, mas funciona de forma excelente, porque é mantido num conjunto de performances sublimes. Pacino tem os tiques faciais, a energia e o otimismo de olhos arregalados, e o desempenho é extremamente envolvente e divertido.

O falecido John Cazale também é excelente no papel de Sal, o seguidor de olhos esbugalhados. É um papel menos chamativo, mas Cazale é inexoravelmente competente. 

Frank Pierson não ganhou o Oscar de Melhor Argumento por acaso. Os diálogos são hilariantes, agudos e espirituosos. É uma escrita inteligente. 

  • “…And Justice For All” (1979)

Um drama do tribunal que redefiniu a ideia de justiça em Hollywood. 

O filme gira em torno de um advogado de ética (Pacino), que é chantageado para defender um juiz repulsivo, que é acusado de agredir e de violar uma jovem. 

“… And Justice For All” fica na linha entre comédia e drama. Embora talvez não seja tão essencial quando comparado a outros projetos da sua obra, Pacino foi nomeado para o Oscar de Melhor Ator por este trabalho. 

É um olhar penetrante sobre corrupção e como o dinheiro, a ganância e o poder distorcem as linhas da justiça. O enredo até pode mudar de tom ocasionalmente, mas quando dispara, surge o desempenho ardente de Pacino. 

  • “Scarface” (1983)

Tal como Michael Corleone ajudou a definir a vida na década de 1970 em Nova Iorque, Tony Montana personificou o mundo colorido e animado da década de 1980 em Miami. Foi um papel decisivo para Pacino, ao demonstrar vividamente aos executivos de Hollywood que poderia vigorar longe das ruas da Big Apple.

  • “Heat” (1995)

Al Pacino e Robert De Niro contracenaram pela primeira vez juntos em “Heat”. Em boa verdade, não decepcionaram. 

A cena que os junta naquela mesa de uma pastelaria, é fascinante. Muitas vezes descritos pelos críticos como os dois maiores atores da sua geração, nunca tinham contracenado juntos até então, embora tivessem participado em “The Godfather”. 

DeNiro era um criminoso e Pacino era o polícia tenaz, que estava determinado a apanhá-lo em flagrante. Os dois homens respeitavam-se, e o que acontece entre eles é essencialmente um jogo de xadrez da vida real. 

É um hino entre dois grandes atores. Uma obra essencial para quem aprecia filmes de ação, mas, essencialmente, para quem gosta de cinema. 

  • “Donnie Brasco” (1997)

Embora “Scent of A Woman”, “Two Bits” e até “Heat” tenham exaltado a exuberância de Pacino, “ Donnie Brasco” obriga-o a voltar a executar uma performance de discrição e nuance. 

Pacino interpreta Lefty Ruggiero, que ensina Donnie Brasco (Johnny Depp) a viver no mundo do crime, sem perceber que está a ser usado como um peão, visto que Brasco, é, na verdade, um agente federal. Neste projeto, Depp e Pacino surgem na sua melhor forma. 

  • “Insomnia” (2002)

Este remake de Christopher Nolan, cuja obra é baseada no filme que Erik Skjoldbjærg realizou em 1997, é, na minha opinião, a par de “The Irishman”, a grande performance de Pacino no século XXI. 

Ele interpreta Will Dormer, um detetive que investiga um homicídio numa pequena cidade do Alasca. Pacino tem um excelente elenco que o apoia, incluindo Hilary Swank e o falecido Robin Williams. 

De certa forma, Pacino e Nolan fizeram uma escolha criativa com o personagem Dormer que, de alguma forma, previu o sentimento que os detratores de Nolan afirmam ter: olhos afundados de cansaço, perda de sentidos e dificuldade em seguir o labirinto narrativo. 

Nesta aventura, Pacino articula perfeitamente as suas expressões faciais e a linguagem corporal com sensação de fadiga por insónia. É uma performance incrível.

  • “You Don’t Know Jack” (2010)

Nesta cine-biografia, Pacino retrata Dr. Jack Kevorkian, um médico que defendeu publicamente o direito à eutanásia durante a década de 1990.

Pacino traz dignidade, força e, principalmente, vida a uma obra dedicada inteiramente a assunto em torno da morte. Ele é forte nas cenas dos tribunais, mas são estas prestações domésticas, onde definha e estreme em direção ao fim, que fazem com que brilhe primordialmente. 

A eutanásia assistida é uma ajuda ou é homícidio? Este tema alavancou um dos melhores trabalhos de Pacino nos últimos anos. 

  • “The Irishman” (2019) 

Al Pacino nunca tinha trabalhado com Martin Scorsese até ao ano passado. Em “The Irishman”, interpretou Jimmy Hoffa, na homenagem épica de Scorsese ao mundo dos senhores do crime. 

Voltou a contracenar com Robert De Niro. De Niro precisava de um sucesso aclamado pela crítica, depois de uma série de performances abaixo do esperado. É um trabalho muito bem-sucedido, e Pacino volta a revelar a sua capacidade como ator, ao conectar-se com o público mesmo quando compete com a magia tecnológica. 

É provável que me tenham escapado múltiplas performances irrepreensíveis de Al Pacino nesta homenagem, mas, de facto, o currículo é imenso. Não fiz menção a obras como “The Panic In Needle Park”, “Scent Of A Woman” (filme com o qual arrecadou o Oscar da sua carreira, mas que não espelha completamente o seu potencial), “City Hall, ”The Devil’s Advocate”, “Frankie And Johnny” ou mesmo “Manglehorn”. 

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