Elvis – Crítica Filme

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Desde a ascensão nos anos 50 à sua morte prematura no final da década de 70, Elvis rapidamente mostrou ao mundo que era uma lenda e que a sua impressão na música iria ser duradoura. Todo esse impacto deveu-se à sua atitude rebelde e disruptiva. Para atacar este seu lado, quem melhor que Baz Lurhmann?

Depois de dividir críticos e público com a sua versão de “Romeu e Julieta” e “The Great Gatsby”, Luhrmann empresta o seu efeito furacão a Elvis, com toda a pompa e circunstância e sem se mostrar contido de forma alguma. “Elvis” é o mais Lurhmann que Lurhmann pode ser. Porém, ao contrário dos outros registos, este efeito assenta que nem uma luva ao Rei do Rock n´Roll.

Entre um corte e costura em excesso de velocidade, planos e contraplanos de close ups e ângulos de câmara desequilibrados e uma cacofonia de vozes e música, “Elvis” arranca de cabeça à história que quer contar, fazendo uma revisão rápida dos primeiros momentos da nossa personagem, rapidamente levando-o ao estrelato.

Tendo um altamente maquilhado Tom Hanks, que dificilmente de equilibra numa performance brutamente honesta e a roçar o bacoco, como nosso guia, a viagem de “Elvis” é um comboio a alta velocidade que não mostra qualquer sinal de que deseja abrandar.

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E esta velocidade máxima só não descarrila devido a um único e simples fator – Austin Butler. Sem receios e personificando, metafórica e literalmente, a individualidade que era Elvis, Butler ficou 2 anos, desde a preparação até aos momentos finais, no papel de Elvis e é uma visão maravilhosa. Desde o primeiro segundo que ele é convincente, nunca exagerando e nunca sendo demasiado subtil. É um papel que define uma carreira de ator e que, depois deste papel, Butler nunca mais será o mesmo.

Toda a história é alicerçada por uma banda sonora que, para além dos clássicos já habituais do Rei (muitos deles cantados por Austin Butler), Burhmann volta a querer modernizar as suas músicas da sua história, tal como fez com “Moulin Rouge” e “The Great Gatsby”. No caso de “Elvis” penso que seja o filme em que o registo de modernização de adeque melhor, talvez mesmo pelo facto de ser uma película sobre uma lenda da música que teve repercussões até aos dias de hoje.

Com uma duração de 2 horas e 40 minutos, tenta ao máximo manter um ritmo acelerado e esse é, ao mesmo tempo, o seu maior feito e o seu maior defeito. Não é inteiramente possível ir a toda a velocidade durante tanto tempo sem abrandar um pouco e, apesar de o fazer, os momentos em que abranda não chegam a ter o mesmo impacto como seria esperado, tal como é exaustivo para o espectador ser abalroado com tanto em tanto tempo com tanta rapidez.

Porém, “Elvis” é um feito monstruoso no que toca à arte de uma biografia. Desorientador e poderoso, Austin Butler tornou-se uma estrela com este filme que consegue ser tão disruptivo quanto o próprio Elvis o foi. Tom Hanks pode não ter sido a escolha mais acertada, mas não deixa de ser uma viagem alucinante que não é aconselhável para os mais propensos a ataques de coração.

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