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MOTELX 2019 – 13 edições com muito terror à mistura

motelx abertura

Chegou finalmente a 13ª edição do MOTELX, o Festival de Cinema de Terror de Lisboa! Este ano, as datas coincidem com uma sexta-feira 13 e logo na sua 13ª edição e como tal, será transmitido o clássico de terror “Friday 13th” numa sessão especial intitulada: “Sexta-feira 13 numa Sexta-feira 13”.

Coube ao filme “MA” de Tate Taylor a honra de ser o escolhido para a cerimónia de abertura do certame.

Num cinema São Jorge completamente cheio e com uma bilheteira exterior repleta de avisos de sessões esgotadas para quase todos os dias do festival, é evidente que este género de filmes atrai vários tipos de pessoas, dando uma mística e choque cultural bem interessante no hall de entrada onde vemos desde fãs acérrimos a simples curiosos que simplesmente quiseram passar uma noite diferente e longe dos “cinemas normais”.

Antes do filme começar, o organizador deu umas palavras ao público de forma a iniciar o festival, também com Samuel Úria a ser anunciado como mais um elemento do júri do concurso das Curtas que terá o vencedor anunciado na gala de encerramento e ainda houve agradecimentos por parte de Ari Aster que se confessou entusiasmado com a masterclass que irá dar no festival.

"ma" MOTELX 2019

“Ma” (2019)

Como já referido, “Ma”, o filme que conta com Octavia Spencer, atriz vencedora de um Óscar, conta-nos a história de uma mulher que permite que alguns adolescentes menores de idade dêem festas em casa dela mas as intenções da mesma não são as melhores.

A premissa do filme era bem promissora, uma senhora aparentemente inofensiva, Sue Ann começa então a criar laços e fixação por esse grupo de jovens estudantes.

Mas à medida que o filme vai avançando começamos a deparar que o que poderia ser terror se transforma num drama de jovens que usa e abusa de clichés já bastante frequentes – a nível de sustos, relações entre os jovens – o que acaba por se distanciar da premissa.

O filme a dado momento introduz memórias do passado de Sue Ann, sobretudo para ganharmos algum elo de ligação com a personagem, mas, neste caso, ainda confunde mais o espectador pois não tem o impacto pretendido e a nossa opinião não irá mudar em relação à dita personagem.

Octavia Spencer é o grande ponto positivo, que agarra um dos seus poucos papéis principais e tenta dar alguma vivacidade a um argumento linear e deixa-nos sobretudo a pensar o que poderia ser este filme se seguisse um caminho mais ousado e não tão seguro.

Em suma, o filme podia ser muito mais ousado mas acaba por ficar na zona de conforto, o que o torna num filme banal.

Pontuação do filme: 5 

Depois da enchente da noite anterior, o segundo dia do certame de terror da cidade de lisboa volta a ter uma boa casa, sobretudo devido ao facto de ser a noite do Motelquiz.

O Motelquiz é um quiz onde o tema principal é, claro está, os filmes de terror e é um evento com entrada livre!

O segundo dia fica também marcado pela visualização do filme catástrofe The Quake (Skjelvet), a continuação do filme sensação de 2015 Bølgen: The Wave.

Antes do inicio do filme John Andreas Andersen (o realizador deste), convidado pela organização do festival, proferiu em poucas palavras que a grande diferença entre este filme e as produções megalómanas de Hollywood era essencialmente o foco na família do protagonista Kristian Eikjord (Kristoffer Joner), que se vê novamente envolvido noutro desastre natural…

E não poderia ter feito melhor descrição da sua obra! O filme realmente tenta sempre transmitir a ideia de um drama familiar, ombreando com a vertente catástrofe. Surpreendente mesmo, pois sabemos que irá ocorrer um terremoto mas este incrivelmente só ocorre quase no 3º acto do filme, o que faz com que o principal ingrediente seja o reatar e fortificar dos laços familiares da personagem principal com os seus, algo que no inicio é inexistente.

John Andreas Andersen faz um excelente trabalho, pois procura sobretudo ir por outras vertentes que não as tradicionais de filmes do género, sobretudo imprimindo um ritmo pausado à narrativa o que faz sobressair o lado mais humano das personagens. O filme realça também os problemas inerentes a bens de primeira necessidade em caso de catástrofe deste magnitude.

Um ponto positivo que vale a pena realçar são os efeitos práticos e visuais, visto que o filme tem um orçamento a rondar os 6 milhões de euros e que deixam muitas produções superiores vários níveis abaixo.

The Quake é dos poucos filmes do festival que teve direito a estreia nos cinemas nacionais.

Pontuação do filme: 7

The Golden Glove

Do realizador germânico de origem turca Fatih Akin, chega-nos a adaptação ao cinema de uma história verídica sobre um serial killer de seu nome Fritz Honka (aqui interpretado de forma meticulosa por Jonas Dassler, que se apresenta de forma irreconhecível) que assombrou as ruas de Hamburgo na década de 70.

Frintz ficou conhecido por ter morto quatro mulheres e guardar parte dos seus cadáveres num alçapão da sua casa, contudo um incêdio com origem no piso inferior obrigou à interversão dos bombeiros e policia que no rescaldo deste depararam-se com os restos mortais das vitimas. O serial killer nunca levantou suspeitas visto que estas mulheres geralmente eram pessoas solitárias, com vícios e que outrora eram prostitutas logo ninguém dava pelo seu desaparecimento. O lugar de Fritz com as suas vitimas geralmente ocorria num bar com o nome de Der Goldene Handschuh (Luva Dourada).

Ao contrário do que a premissa possa parecer, o filme em vez de caminhar para algo que o espectador espera, ou seja terror e suspense, Akin tem o dom de transforma-lo numa comédia negra, ao ponto de perguntámos a nós próprios se é mau soltar uma gargalhada numa cena explicita de desmembramento e crueldade humana.

A começar por Fritz, todas as personagens deste filme são emblemáticas e muito bem representadas, sobretudo os seus amigos do Bar que são autenticos monstros sociais e sem nenhum senso de realidade. De realçar ainda a maneira como Akin conseguiu executar as cenas, de tal forma cruas e sem pingo de humanidade e ética, só não choca mais devido ao tom de humor negro que o filme toma.

O filme mantém um ritmo bastante agradável, fluído e um tom de comédia correcto para a ocasião e não convém esquecer que este também não sente a pressão e a necessidade de transmitir alguma mensagem social ao espectadores, só querendo mostrar o que aconteceu. Incrivelmente o filme perde um bocado o fulgor quando Fritz decide deixar o álcool(verdade), tornando-se, como a sua personagem principal,um pouco mais sério, algo que serve sobretudo para respirarmos um pouco de toda aquela loucura e relembrar que isto realmente aconteceu….mas não se preocupem, Fritz volta a beber para o 3º acto!

O filme irá ser sempre controverso, está posicionado numa linha ténue entre o original, humor negro e sadismo de um lado e do outro uma violência gratuita e quase intolerável para alguns…mas nunca indiferente.

Pontuação do filme: 7

The Lodge

Depois do surpreendente e tenebroso “Goodbye Mommy”, Severin Fiala e Veronika Franz trazem-nos “The Lodge”, um puro e duro thriller com plot twists assinaláveis!

A premissa do filme é bastante simples, Richard (Richard Armitage) após anunciar à sua ex-companheira Laura (Alicia Silverstone) que quer o divórcio, tem a hercúlea tarefa de fazer com que os seus filhos aceitem a sua nova namorada. Estes, bastante reticentes em relação à nova madrasta, são “obrigados” pelo pai a passarem dois dias numa casa isolada em pleno Natal com a nova companheira, isto após Laura ter-se suicidado.

Antes de se suicidar, esta avisa os seus filhos Mia (Lia McHugh) e Aiden (Jaeden Martell) sobre o passado obscuro da nova madrasta. Tudo isto num ambiente pesado e obscuro, onde se salienta a casa de bonecas tenebrosa de Mia que é uma cópia fidedigna da dita casa isolada onde irão passar a época festiva.

O filme é um exemplo de uma montagem meticulosa por parte dos realizadores, onde se vê o amor que sentem pelo projecto e isso está patente em vários momentos em que é notório que sabem onde e como aplicar o peso do terror na trama – a morte de Laura é de uma crueldade perfeita, bem como a introdução da madrasta que só vai aparecer ao fim de quase 30 minutos de filme.

Por falar nesta personagem, Grace (a madrasta interpretada por Riley Keough) vai crescendo à medida que o filme vai avançando, onde é confrontada com o tal passado de que Laura tinha avisado os filhos.

O filme tenta a todo o custo evitar aqueles clichês de terror, apostando nas ideias que estamos a conceber na nossa mente à medida que este desenvolve. Ou seja, os realizadores “dão-nos” todas as ferramentas para imaginar um final previsível e claro, vão surpreender-nos de muitas maneiras e tipos de horror, que vão desde sanidade, claustrofobia e cultos religiosos.

O filme é uma experiência eximia e quase sem falhas, com um final controverso mas ao mesmo tempo satisfatório. O difícil é escrever uma análise sem revelar nada deste, pois é daquelas experiências que vale cada minuto e é um crime este não chegar às tradicionais salas de cinema portuguesas.

Pontuação do filme: 8

E assim, depois de cinco dias intensos de terror, a 13ª edição de MotelX chega ao fim. Foi uma edição com muita diversidade e um bom equilíbrio entre o clássico e o inovador.

Numa cerimónia de encerramento completamente esgotada que contou com a longa-metragem de Ant Timpson, “Come to Daddy”, serviu também para a entrega de prémios desta edição.

O grande destaque do júri foi para o filme “Why don’t you just Die!” de Kirill Sokolov, que arrecadou o prémio de melhor Longa-Metragem Europeia. No que diz respeito à curta nacional, o grande vencedor do júri foi “Erva Daninha” de Guilherme Daniel, que vê assim a sua curta qualificada para o festival internacional Méliès D’Argent 2019. Em relação ao voto do público, o filme vencedor foi “Midsommar” de Ari Aster, que esteve presente em todos os dias do evento.

O MotelX é cada vez mais algo incontornável no panorama da sétima arte em Portugal: vai criando cada vez mais adeptos e para muitos já é uma tradição. Muitos só querem marcar presença, ao ponto de comprarem bilhetes para algo que nunca ouviram falar com o simples objectivo de estarem associados ou presentes neste evento.

A julgar pela quantidade de sessões esgotadas logo no primeiro dia e pelas sessões extra quase obrigatórias devido à enorme procura, este vai ganhando cada vez mais protagonismo no panorama cultural nacional e grande exemplo disso é o facto da organização conseguir trazer quase todos os realizadores às sessões dos seus filmes e estes estarem disponíveis para responder às perguntas dos espectadores mal acabe a longa-metragem.

Marquem nas agendas: O MotelX regressa com a sua 14ª edição de 8 a 13 de Setembro de 2020.

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MOTELX 2019 – Conhece o programa completo da 13ª edição

Cartaz MotelX

O Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa (MOTELX) faz 13 anos. Haverá melhor maneira de celebrar do que uma Sexta-Feira 13?

Entre 10 e 15 de Setembro, o MOTELX terá mais de 60 sessões a apresentar ao público, com convidados como o realizador Ari Aster que mais recentemente nos trouxe “Hereditário” e “Midsommar”.

A sessão de abertura no dia 10 de Setembro traz a estreia nacional de “Ma”, thriller de Tate Taylor com Octavia Spencer no papel principal. Já “Come to Daddy”, de Ant Timpson, encerra o Festival de Terror a 15 de Setembro e conta como protagonismo de Elijah Wood.

Aproveitem para ler: MotelX: Fica a saber o que vai acontecer nesta 13ª edição do festival

Os Convidados

Ari Aster é o grande destaque da edição deste ano. O prodígio do terror americano, vem apresentar a antestreia portuguesa de “Midsommar”, um dos filmes mais aguardados do ano (13 Setembro, 21h), e o já clássico “Hereditário” (14 Setembro, 15h30). As sessões incluirão um Q&A com o realizador.

Aster dará ainda uma masterclass sobre folk horror com o escritor Howard David Ingham, seguida de uma sessão de autógrafos (15 Setembro, 17h30).

Retirado de motelx.org

À lista de convidados do MOTELX junta-se ainda o veterano Jack Taylor, actor-fetiche do cinema exploitation espanhol dos anos 60 e 70. O Feestival irá homanagear o actor com uma sessão especial na Sexta-Feira 13 (19h). Serão exibidos o documentário “Jack Taylor, Testigo del Fantástico” (Diego López, 2018) e “Necronomicon” (Jesús Franco, 1968). Este último, filme de culto também conhecido como “Succubus”, foi rodado em Lisboa e ficou marcado por duas estreias: a de Taylor como protagonista e a de Karl Lagerfeld como figurinista.

Prémios MOTELX

  • Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa/Méliès d’Argent, cujos 10 finalistas são: “Canção de Embalar”, “Dig Another Grave”, “Archosargus Probatocephalus”, “Do Outro Lado”, “Erva Daninha”, “Häuschen: A Herança”, “Don’t Feed These Animals”, “Exulansis”, “Reverso” e “Feliz Natal, Sr. Monstro”
  • Prémio MOTELX – Melhor Longa de Terror Europeia/Méliès d’Argent, com os seguintes filmes em competição: “Faz-me Companhia, “All the Gods in the Sky”, “Extra Ordinary”, “Finale”, “Get In”, “A Good Woman is Hard to Find”, “The Hole in the Ground” e “Why Don’t You Just Die!”.

Serviço de Quarto

A secção Serviço de Quarto mostra 26 longas internacionais. Entre as novidades está o brasileiro “Bacurau” de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, vencedor do Prémio do Júri em Cannes. O cinema asiático volta a destacar-se com filmes como “The Gangster, the Cop, the Devil” (Lee Won-Tae, Coreia do Sul), o japonês “It Comes” (Tetsuya Nakashima) ou o indiano “Tumbbad” (Rahi Anil Barve). Dos EUA chegam, entre outros, o western feminista “The Wind” (Emma Tammi) e “Nightmare Cinema”, antologia realizada por mestres como Mick Garris e Joe Dante com Mickey Rourke no papel de projeccionista diabólico. Da Europa, realce para “Lords of Chaos” (Jonas Åkerlund), baseado na história real dos “Mayhem”, banda de black metal norueguesa com apetite para a destruição.

Doc Terror

A secção Doc Terror regressa com documentários sobre dois lendários realizadores de filmes de terror série B, Jairo Pinilla (“Jairo’s Revenge”, Simon Hernandez) e Al Adamson (“Blood & Flesh”, David Gregory). Exibir-se-á também “Horror Noire: A History of Black Horror” (Xavier Burgin), análise profunda do papel dos afro-americanos no cinema de terror norte-americano.

Sessões Especiais

Nas sessões especiais, para lá das já anunciadas celebrações dos 40 anos de “Alien” e da primeira Sexta-Feira 13 em 13 anos de MOTELX com “Friday the 13th”, assinalam-se os 60 anos do terror sci-fi “tão-mau-que-é-bom” de “Plan 9 from Outer Space” (1959, Ed Wood) com projecção comentada ao vivo por Susana Romana e Tiago R. Santos (14 de Setembro, 21h). E por falar em Sexta-Feira 13, a festa “MOTELX After Dark” promete esconjurar qualquer superstição com o colectivo cosmo-burlesco belga Dance Divine (Casa de Desenho, Santos-Rio).

WARM-UP | 5 a 7 de Setembro

Como tem vindo a acontecer nas últimas edições, o MOTELX fará eventos Warm-Up com entrada livre entre 5 e 7 de Setembro.

  • 5 de Setembro: o Museu Nacional de Arte Antiga abre pela primeira vez as suas portas à meia-noite para receber o MOTELX e orientar uma visita inédita sobre o inferno na Arte (já esgotada);
  • 6 de Setembro: Filipe Raposo pega em 13 temas de terror para convocar ladainhas ancestrais do nosso imaginário cinematográfico num cine-concerto no Convento São Pedro de Alcântara;
  • 7 de Setembro: sessão ao ar livre de “Ed Wood” de Tim Burton no Largo Trindade Coelho, a dar o mote para a celebração dos 60 anos de “Plan 9”.

Se querem marcar presença neste festival de terror, podem comprar os bilhetes a partir de amanhã, 30 de Agosto. Os bilhetes para o MOTELX estarão disponíveis a partir das 11 da manhã nos sítios habituais e a partir de 3 de Setembro no Cinema São Jorge.

Para conhecerem mais sobre a edição deste ano, passem pelo site oficial do evento

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Child’s Play: Chucky cumpriu o propósito de nos divertir

chucky and andy child’s play
4.8Rating

Chucky, o boneco diabólico e assassino está de volta para Child’s Play que tem estreia marcada para 18 de julho. Há algumas diferenças que separam este filme do dos anos 80 de Tom Holland mas claramente que este tem a premissa de nos fazer rir desde o primeiro minuto. 

Mesmo para quem nunca viu o filme de 1988 de Tom Holland, de certeza que sabe quem é o boneco Chucky. Há algumas diferenças deste filme para o que estreia esta semana nos cinemas, sendo duas delas a maneira como o boneco ganha vida e a própria aparência do mesmo.

Sendo que estamos numa geração muito ligada à tecnologia, faz sentido que este boneco diabólico ganhasse vida através da mesma, sendo um boneco com inteligência que, neste caso, consegue ligar-se a outros dispositivos que usem a mesma tecnologia, que aqui são da Kaplan. Classy Black Mirror. Em 1988 tínhamos tudo a mente de serial killer passada para um boneco que procurava novamente um corpo humano.

Aqui mantivemos toda a história da mãe solteira Karen Barclay, desta vez interpretada por Aubrey Plaza, que trabalha na loja onde se vendem os Buddi, o boneco que promete ser o melhor amigo das crianças. Quando um dos Buddi é devolvido, Karen leva-o para casa para oferecer ao seu filho Andy (Gabriel Bateman) que não praticamente amigos.

Assim que Andy liga o novo boneco e tenta dar-lhe o nome de Han Solo e o mesmo refere-se a si próprio como Chucky, que o rapaz começa a perceber que este tem defeitos, embora não queira que a mãe o devolva porque afinal de contas, está ali o seu novo melhor amigo. Para além disto, ele vai descobrindo que Chucky (Mark Hamill) vai aprendendo movimentos que ele faz e que até diz asneiras (que não era suposto, mas retiraram o inibidor de violência a este boneco).

Mas alguns movimentos podem ser perigosos para Chucky aprender, especialmente os de filmes de terror que envolvam facas e qualquer tipo de morte. E claro, ninguém pode magoar Andy e toda a matança do boneco vai em volta deste mote – um rumo completamente diferente do original.

Este filme é de terror mas quase que nem se pode considerar tanto isso, porque claramente que Child’s Play também se assume como comédia – porque claramente o é. No início, as piadas não me estavam a arrancar nenhuma gargalhada, mas à medida que o filme se ia desenrolando com a aprendizagem de Chucky, também foi ficando mais fácil rir.

E também nos traz uma dualidade ao longo do mesmo porque ficamos sem saber se estamos a criar empatia com o boneco, especialmente com a relação dele com Andy ou se devemos ficar preocupados com o mesmo, visto que o boneco dele dá numa de serial killer.

Quanto às personagens, não achei que a relação mãe-filho resultasse assim tão bem embora tivesse gostado muito da química entre Aubrey e Gabriel. Só acho que ele teria de ser um pouco mais novo para encaixar melhor. Não obstante, Aubrey desempenha o bom papel de mãe, e Gabriel é o que mais surpreende com a sua capacidade de ser tímido mas corajoso ao mesmo tempo.

E é muito bom sentir que embora saibamos que é Mark Hamill a dar voz a Chucky, não parece nada que é, excepto em algumas expressões ditas de algumas maneiras em que pensamos “yup, imagino o mark a dizer isto assim!”.

O argumento não é espetacular mas está ajustado com o estilo de filme e com a altura em que é feito este reboot. O filme para além disso teve problemas de ritmo, demorando o tempo necessário para se construir a relação entre os dois amigos mas quando passou à parte da acção, passou-se tudo demasiado rápido, tendo um final super abrupto e despachado para o ritmo que o filme levava inicialmente.

Se forem fãs do franchise e tiverem com imensas expetativas, é melhor não irem com elas muito altas. Se forem como eu que pouco ou nada viu deste franchise, então se calhar até vão ficar surpreendidos. Não no sentido de “é maravilhoso” mas mais no “está ok, vê-se e diverte”, porque é isto mesmo, gera entretenimento, o que nem sempre é mau.

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MotelX: Fica a saber o que vai acontecer nesta 13ª edição do festival

Cartaz MotelX

O Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, ou MotelX, está de volta para mais uma edição, sendo já a sua 13ª. Já foram anunciados alguns destaques do programa e mais ainda será revelado. O festival decorre de 10 a 15 de setembro. 

O MotelX tem sido um festival de terror adorado por muitos dos fãs deste género de filmes. Este ano, o principal desafio do festival é repensar a maneira de assustar os espectadores quando assuntos como as alterações climáticas o vão fazendo diariamente, fazendo com que a premissa do evento vá ao redor da reflexão deste tema.

O grande destaque desta edição é o cabeça de cartaz Ari Aster, realizador do filme de terror mais aguardado do ano – “Midsommar” – e de “Hereditary” que vai marcar presença em Portugal. Vai ser a primeira oportunidade de se ver “Midsommar” em Portugal que é um dos filmes mais falados de 2018.

No que toca às longas metragens que vão ser exibidas ao longo do festival, destacar duas produções em português: “Na Sombra do Pai”, um filme brasileiro da realizadora Gabriela Amaral Almeida, e o filme português “Faz-me Companhia” de Gonçalo Almeida – que se sagrou vencedor do Prémio MOTELX para Melhor Curta de Terror Portuguesa em 2017 com “Thursday Night”.

Como primeiros títulos anunciados, juntamente com os dois mencionados acima, temos ainda “The Quake” que nos traz novamente a história de uma família envolvida num desastre natural, um terramoto (anteriormente tinha sido um tsunami em “The Wave”) e na lista estão também “The Lodge”, “Rabid”, “The Golden Glove”, “Nightmare Cinema”, “The Gangster, The Cop, The Devil”, um documentário chamado “Horror Noire: A History of Black Horror”, “Come to Daddy” e ainda “Memory: The Origins of Alien” que vai revelar as origens de Alien, filme de Ridley Scott.

Na secção Quarto Perdido, há slashers à portuguesa! Com a celebração dos 10 anos de recuperação de filmes de terror portugueses temos filmes como O Construtor de Anjos  e Rasganço a serem apresentados no MotelX.

Nas curtas-metragens, para se habilitarem ao Prémio MotelX, foram recebidas inúmeras candidaturas mas apenas 10 vão competir para serem a melhor curta de terror portuguesa 2019/ Méliès d’Argent. As seleccionadas foram “Canção de Embalar”, “Dig Another Grave”, “Archosargus Probatocephalus”, “Do Outro Lado”, “Erva Daninha”, “Häuschen: A Herança”, “Don’t Feed These Animals”, “Exulansis”, “Reverso” e “Feliz Natal, Sr. Monstro”.

Este ano também é especial porque o evento calha numa Sexta-Feira 13 e claro que para marcar o acontecimento vai existir uma sessão especial de “Friday the 13th”, o filme de 1980 que deu origem a franchise com 12 filmes e com um dos serial killers mais icónicos do cinema, Jason Vorhees.

Para além do documentário “Memory: The Origins of Alien”, vai ser possível também rever a obra de Ridley Scott, “Alien”, numa cópia 4K restaurada, para celebrar os 40 anos do filme.

O festival também pensa nos mais novos com a sua secção Lobo Mau. Todos os dias vão existir exibições de filmes como “O Pequeno Vampiro” e “Um Susto de Família”, ateliers, workshops criativos, peças de teatro, entre outras atividades para as crianças!

Na secção Eventos Paralelos, ao longo do festival vai acontecer o lançamento do livro “Profondo Nero: Dario Argento e Dylan Dog”, uma masterclass de efeitos especiais com os estúdios Nu Boyana Portugal (que participaram nos efeitos especiais de Hellboy), um workshop de adereços comestíveis numa demonstração apresentada pela rub-a-duckie (um dos parceiros do festival) e ainda um dos momentos altos, o Motel Quiz – uma quiz night sobre cultura pop e geek, cinema de terror e não só para testares os teus conhecimentos!

O terror começa a ser espalhado pela cidade de Lisboa com o Warm-up do MotelX de 5 a 7 de setembro com cinema ao ar livre, concertos e muito mais!

Para mais informações sobre o festival: https://www.motelx.org/

Para veres todos os trailers já disponíveis: https://www.youtube.com/user/MOTELxInternational/videos

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