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Big Mouth T4: Uma mudança rotineira

by João Borrega

O grupo de adolescentes mais ingénuos e os seus monstros hormonais regressam em “Big Mouth” à grelha da Netflix para nos recordar como a adolescência é uma viagem turbulenta.

“Big Mouth” é um forte candidato a sucessor de “South Park”, sendo muitas vezes comparada com a icónica série. E com bons motivos – ambas são séries de animação que se debruçam sobre a vida de um grupo de adolescentes, com diálogos e temas recheados de deliciosa profanidade,  enquanto estes procuram o seu lugar no Mundo. 

Porém, enquanto que “South Park” foca o seu conteúdo em criticar a sociedade pelos olhos dos adolescentes, “Big Mouth” é mais introvertido, tendo a sua atenção virada para como os adolescentes se comportam com as suas mudanças devido à puberdade. 

Torna-se distinta de “South Park” rapidamente, não apenas nas suas temáticas mas também na sua abordagem à controvérsia e à comédia, sendo “Big Mouth” uma série mais contida mas imbuída de genialidade à sua maneira. 

Agora já com 4 temporadas, “Big Mouth” nunca chegou a atingir números astronómicos de audiência, mas tem vindo a ser crescente a cada ano que está no serviço de streaming da Netflix

BIG MOUTH (L to R) Josie Totah as Natalie and John Oliver as Harry in episode 1 of BIG MOUTH. Cr. NETFLIX © 2020

Muita desta conquista de audiência advém do facto de ser altamente nostálgica pelos tempos dourados da adolescência, com todos os seus momentos de constrangimento e de navegar no desconhecido. Tal como um humor tenaz e perverso, vindo de uns monstros hormonais brilhantes. 

Todo o elenco é perfeito, muitos deles dando voz a diferentes personagens, como o caso de Nick Kroll, Maya Rudolph ou Jordan Peele. Sendo mais ou menos reconhecidos pelo público em geral, todos encaixam nas personagens como uma luva e emprestam vozes tão distintas a cada personagem que se torna facilmente hilariante.

Nesta nova temporada, o nosso grupo de amigos terão de lidar com as suas divergências num campo de férias. Neste campo, os problemas apenas se avolumam com o surgimento de um novo monstro – o Mosquito da Ansiedade. A ansiedade é presente em todos os momentos, em diferentes situações, o que trará repercussões quando o grupo voltar à escola. 

A temporada 4 volta a ser uma lufada de ar fresco no conteúdo disponível na Netflix

Tal como nas suas temporadas anteriores, “Big Mouth” continua irreverente e hilariante, sendo que faz todas as intenções de entreter o espectador desde o primeiro ao último segundo dos episódios. 

BIG MOUTH (L to R) Maya Rudolph as Connie the Hormone Monstress, Ayo Edebiri as Missy Foreman-Greenwald, Jessi Klein as Jessi Glaser, Nick Kroll as Nick Birch, John Mulaney as Andrew Glouberman, and Jordan Peele as Ghost of Duke Ellington in episode 10 of BIG MOUTH. Cr. NETFLIX © 2020

Seja com o embaraço das situações advindas com a puberdade, as personagens estereotipadas mas completamente bem aprofundadas ou um humor meta e que promete fazer rir até ficarmos sem ar nos pulmões – tudo se junta para fazer com que “Big Mouth” seja uma série muito especial.

Em apenas 10 episódios com menos de 30 minutos cada um, a série consegue-nos fazer rir e refletir sobre aquilo que passámos (ou que vimos outras pessoas passarem), e como isso nos tornou nas pessoas que somos hoje. 

Apesar de ainda ser uma aposta diferente por parte da Netflix de acordo com as restantes séries de animação que existem, à quarta temporada “Big Mouth” já começa a perder o seu factor surpresa. Isto é ainda mais aparente nos primeiros episódios desta levada, onde não existem uma grande progressão das nossas personagens e serem apenas um conjunto de acontecimentos que se tornarão centrais para a restante temporada, mas que não acrescentam nem retiram nada às nossas personagens. 

É a meio da temporada que a série começa a jogar trunfos mais altos, a tornar-se cada vez mais metafórica e a aprofundar as nossas personagens e a avolumar os seus problemas, revelando-se uma tremenda rampa para o que virá em futuros episódios. 

Contas feitas, a quarta temporada de “Big Mouth” é mais uma vitória para a série. Devido a enrolar um pouco a progressão da história ao início, fica longe de ser a melhor até ao momento. Mas não perde nem um miligrama da astúcia do humor e das capacidades de nos fazer ver que todos fomos adolescentes e conseguimos sobreviver a isso. Portanto, vale mais rir sobre o assunto. 

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