The One: Até onde estamos dispostos a ir pelo nosso par perfeito?

A ideia de encontrar o par perfeito parece bastante promissora, contudo, quais são as implicações que isso pode ter? Até onde estamos dispostos a fazer certas escolhas pelo mesmo? Este é um breve resumo do que poderia e tenta ser “The One”, a nova série da Netflix que estreia amanhã, dia 12 de março.

Esta crítica não vai ter spoilers por isso vou tentar basear-me no que está presente no trailer o máximo possível.

Sempre gostei muito destas premissas de encontrar o par ideal, a pessoa com quem estás destinado a passar o resto da tua vida e tudo através da genética/tecnologia. Já o vimos recentemente, em Soulmates, que numa antologia explorou várias situações que aconteceram no decorrer do teste e escolhas que tiveram de ser feitas.

Em The One temos algo semelhante, seja a nível de testes como de algumas situações de personagens secundárias que o fizeram e o que aconteceu, mas a protagonista da série é, sem dúvida, Rebecca Webb, a criadora da empresa que permite que este match se torne uma possibilidade, para além de que esta série é baseada no romance de John Marrs.

No início da série, a criadora desta empresa diz que “todos merecemos encontrar/tirar um 6 no dado”, o que equivale ao par perfeito, geneticamente, para cada pessoa. Quase na onda de que para cada panela há uma tampa. Mas será que tirar esse 6 no dado torna tudo mais fácil a partir daí? Nem sempre, porque as escolhas continuam a ter de ser feitas, assim como os sacrifícios, sejam eles quais forem.

O mais interessante nesta série é que consegue misturar esta parte da tecnologia e da ciência (ainda que muito pouco do que o esperado no trailer) com drama, romance, crime e claro, muito mistério em volta de tudo. Eu fiz binge-watch da série, contudo achei que havia alturas em que podiam ter avançado mais rápido em alguns aspetos ou, pelo menos, não terem mostrado tanta coisa logo no início da temporada, porque já sabemos para o que vamos quando chegamos ao último episódio.

The One, Hannah Ware © Netflix

Seguimos principalmente Rebecca (Hannah Ware) ao longo destes episódios e os sacrifícios que ela própria teve de fazer por esta empresa e, inclusivé, para a começar e como é que isso afetou toda a sua vida daí em diante, especialmente as suas relações de amizade e amorosas. Será que é tudo um mar de rosas para a fundadora da tecnologia que revolucionou o amor mas que fez com que as taxas de divórcio aumentassem em barda?

O bom é que não temos apenas a história da Rebecca. Temos pelo menos outras duas histórias que, de certo modo, acabam por ir ao encontro da protagonista. Temos Mark (Eric Kofi-Abrefa) e Hannah (Lois Chimimba), um casal que está muito feliz no seu casamento, até que Hannah faz o teste pelo marido e decide conhecer o match dele. Até que ponto é que esta novidade pode destruir o casamento deles e quais são as escolhas que terão de fazer à luz desses factos? Gostei bastante de conhecer estas personagens porque são pessoas com quem facilmente nos identificamos e que, de certa forma, trazem leveza à série.

Também temos Kate (Zoë Tapper), que é polícia e que está encarregue de resolver o mistério da morte de uma das personagens, cruzando caminho com Rebecca neste aspeto, mas ela própria faz o teste e está em processo de conhecer e descobrir a pessoa com quem está, geneticamente, destinada a ficar para o resto da vida, com alguns contratempos pelo meio. Acaba por ser um plot também curioso de ir vendo ao longo dos episódios porque temos dois lados da personagem sempre em acção.

E claro que em Portugal somos suspeitos mas, para além da protagonista e relacionada igualmente com ela, um dos destaques da série para mim foi mesmo Albano Jerónimo que interpreta Matheus Silva, porque acho que se conseguiu encaixar muito bem no seu papel e adorei que tivessem incluído a língua portuguesa nas conversas entre a personagem dele e de Miguel Amorim, que interpreta o seu irmão Fábio. Se bem que não adorei que houvesse tantas asneiras pelo meio porque embora sirvam para dar expressão, não correspondem literalmente à tradução da palavra inglesa f*ck.

Não foi uma série que me arrebatou, muito pelo contrário, mas também não me senti cansada de a ver, embora, como já disse, houve momentos que podiam facilmente ter sido cortados. Acho que é uma boa opção para verem neste fim de semana, para conhecerem mais um trabalho fantástico dos atores portugueses e nem que seja para sonharem que o vosso par perfeito anda por aí mas ponderarem e enfrentarem as escolhas que teriam de fazer se tal possibilidade se tornasse realidade.

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