The King of Staten Island: Viver e Crescer com a Dor

Pete Davidson as Scott Carlin in "The King of Staten Island," directed by Judd Apatow. © 2020 UNIVERSAL STUDIOS. All Rights Reserved.

No novo filme de Judd Apatow, “O Rei de Staten Island” (The King of Staten Island), é-nos contada a história de Scott Carlin: um jovem de 24 anos, cujo pai morreu na sua infância, que vive com a mãe e a irmã e passa os dias a fumar erva com os amigos até ao dia em que algo muda e ele é forçado a alterar o seu estilo de vida.

Neste coming-of-age alterado, Pete Davidson encarna a personagem principal de um jovem inadaptado que não consegue (nem quer) progredir com a sua vida. A história de Scott é, em muitos aspectos, semelhante à própria vida do ator/comediante que dá, desta forma, um cunho auto-biográfico ao filme.

Tal como muitas comédias deste género, temos um filme que depende, em grande parte, do carisma do seu protagonista mas, “confiante” e “carismático” não são adjectivos que eu usaria para descrever Scott. Apesar de esta ser uma escolha intencional que pretende mostrar uma personagem mais insegura e vulnerável, este é um aspecto do filme que acaba por ser prejudicial à sua capacidade de prender um espectador ao ecrã.

Pete Davidson as Scott Carlin in “The King of Staten Island,” directed by Judd Apatow.
© 2020 UNIVERSAL STUDIOS. All Rights Reserved.

Esta tendência é mais pronunciada no ato inicial do filme mas, com a entrada em cena de novas personagens secundárias, o enredo volta a ficar mais cativante.

Destas personagens destaca-se Ray (interpretado por Bill Burr), o novo namorado da mãe de Scott (Marisa Tomei), que traz consigo as melhores piadas e momentos comédicos do filme. O restante elenco secundário tem também um papel instrumental na criação de uma envolvente credível que dá vida às pessoas e comunidades com que Scott interage em Staten Island. Desde o caloroso e paciente Papa (Steve Buscemi) aos amigos caricatos de Scott em Oscar, Richie e Igor (Ricky Velez, Lou Wilson e Moises Arias) temos pessoas de carne e osso que dão contexto e muita personalidade a esta história.

Apatow cria, assim, mais um drama/comédia que segue alguns dos passos da fórmula utilizada pelos seus filmes anteriores mas que se distingue pelo otimismo que deposita no seu protagonista e na capacidade de crescimento pessoal do mesmo.

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