Mistério em Saint Tropez: uma comédia para rir à grande e à francesa

Com estreia marcada nos cinemas para 26 de Agosto de 2021, Mistério em Saint-Tropez é a comédia que nos promete um final de mês alegre e caricato. Conseguem adivinhar o porquê? É que neste filme de Nicolas Benamou com Christian Clavier, Benoît Poelvoorde e Thierry Lhermitte, o que não vão faltar são gargalhadas!

Agosto de 1970, começamos esta viagem em Saint-Tropez (França) na companhia do bilionário Claude Tranchant (Benoît Poelvoorde) e da sua mulher, Éliane Tranchant (Virginie Hocq), que convidaram as últimas estrelas do cinema para passar umas férias na sua glamorosa e luxuosa mansão, um cenário que nos mostra muito bem o brilho e o luxo que fazem parte da vida destas personalidades.

Mas quando pensamos que a sua vida está repleta de alegrias e felicidades, eis que o destino do Barão Claude Tranchant e da Baronesa Éliane Tranchant lhes prega uma partida, após o melhor amigo de Claude ter um acidente, enquanto conduzia o carro que a Baronesa lhe tinha emprestado. A verdade é que seguia em alta velocidade e (claro, um plano mais do que óbvio) no momento de utilizar os travões, descobre que estes não funcionam, acabando por se despistar em pleno campo de golfe.  Convencido de que alguém está a tentar matar Éliane, Claude liga de imediato para o seu amigo Jacques Chirac, e pede-lhe um grande favor: que fale com o Comissário Maurice Lefranc, no sentido de este convocar o melhor inspetor de Paris para desvendar o caso e prender o assassino.

Estrelas, sendo estrelas! Para mim a melhor parte é, sem dúvida, a intenção de crítica a uma sociedade elitista, que está sujeita aos mesmos perigos do que qualquer outra pessoa, não havendo dinheiro que a salve.

Quando Lefranc descobre que o único detetive disponível é o mais desajeitado e absolutamente desastroso Jean Boullin, uma personagem muito bem interpretada por Christian Clavier. Reticente e desconfiado do seu potencial, Lefranc acaba por passar o caso a Boullin, que viaja até à casa de verão do Barão, na Riviera Francesa. Este é um momento de caça ao assassino que se torna divertido, repleto de peripécias que acabam por proporcionar gargalhadas atrás de gargalhadas.

Ao longo do filme, cada tentativa para descobrir o assassino, acaba da pior forma, vezes sem conta, despertando não só a raiva de Claude e dos convidados, mas também de Lefranc, que está sob a pressão de Chirac. Uma das partes do filme que poderia ter sido mais explorada, no sentido de não “enrolar” tanto, ou seja, existir sim uma interação e um “jogo” à volta do mistério, mas que não se tornasse demasiado monótono e óbvio. Confesso que depois de 1h15 já só pensava “mas quando é que termina”?

Contudo, e apesar de ser uma aventura muito cómica, acaba por não ter nenhum momento verdadeiramente surpreendente, o que tornou o desenvolvimento do filme demasiado óbvio. Teria sido interessante criar um maior suspense à volta do verdadeiro criminoso, levantando a uma maior suspeita e dúvida sobre todos os convidados.

Ainda assim, o inspetor Boullin proporciona-nos bons momentos com as suas divertidas peripécias, deixando no ar a questão: Conseguirá o inspetor resolver o caso e salvar Eliane, sem que as suas fracas capacidades de investigação causem mais danos do que aqueles que consegue suportar?

É ver para crer!

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