Especial Aniversário: Sugestões de filmes com Meryl Streep

A permutação entre estados de alma, de papel para papel, é incrível. Num curto espaço de tempo, tanto consegue apresentar um desempenho leve, alegre e cómico, ou, em antítese, um registo sério. É certo que nem sempre justificou o vasto leque de nomeações aos prémios, mas é justo proferir que é das melhores da sua geração. Hoje, celebra-se Meryl Streep e, na calha dessa festa, celebra-se também a arte da representação. 

Num total de vinte e uma nomeações aos Oscars, com três vitórias, juntamente com trinta e uma nomeações aos Golden Globe Awards (oito vitórias), Meryl Streep é um exemplo de força imparável na arte da representação.

A atriz experimenta qualquer tipo de guarda-roupa, sotaque ou papel e, geralmente, consegue tornar esse “todo” num resultado autêntico.

Idealmente, vale a pena ver muitos dos trabalhos associados a Meryl Streep. Eu deixo aqui algumas sugestões, onde apreciei especialmente a forma como atriz manipula as emoções, e onde prova ser uma artesã de sentimentos.

  •  “The Deer Hunter” (1978)

Streep conseguiu o papel de Linda, em “The Deer Hunter”, depois de Robert De Niro a ter visto no “The Cherry Orchard”, no Lincoln Center. Neste filme, a atriz transforma o que poderia ter sido um simples papel de interesse amoroso em algo mais emocional e simbolicamente ressonante.

Se “The Deer Hunter” é parcialmente sobre masculinidade, guerra e rituais de passagem, Streep serve como uma espécie de contramedida. O amor de Linda por Nick (Christopher Walken), o noivo condenado, e a afeição pelo amigo Mike (De Niro), é um reflexo da vulnerabilidade e intimidade que os homens ao seu redor não podem expressar.

  • “Sophie’s Choice” (1982)

Este é um desempenho que faz com que, de forma irreversível, saibamos que o nome de Streep vai ficar gravado nos manuais de cinema para sempre.

Em “Sophie’s Choice”, ela consegue ser triste, sexy, derrotada, destruída e resiliente. A história com Stingo (Peter MacNicol), ao escrever o seu romance, é menos interessante do que um truque narrativo eficaz. Principalmente, o filme é um dispositivo de entrega de Streep.

Na verdade, ela transcende o enredo. Há um poder bruto no seu desempenho. Ao longo da carreira, Streep provou que podia fazer qualquer coisa. Neste filme, ela faz tudo.

  • “Silkwood” (1983)

Em Silkwood, Meryl Streep retrata Karen Silkwood, uma mulher de Oklahoma que acredita que ela e os colegas de trabalho estão a ser expostos a níveis inseguros de radiação. Quase acidentalmente, torna-se uma ativista sindical, mas, apesar das pessoas pretenderem usá-la por causas próprias ou silenciá-la por interesses financeiros, ela está sozinha.

O “Silkwood shower” tornou-se parte do vernáculo, mas o melhor da performance de Streep é que ela, Karen Silkwood, nunca faz grandes discursos (tipo “Norma Rae) nem tenta ser mais do que realmente é.

  • “Defending Your Life” (1992)

Nesta comédia clássica, Albert Brooks tem a ousadia de responder à eterna pergunta: “Porque motivo estamos aqui?” A teoria de Brooks pode ser apenas uma invenção da sua imaginação sempre fervorosa, mas eu considero que até soa mais verdadeira do que muitas já apresentadas.

Em “Defending Your Life”, Streep é Julia, quase como uma santa na Terra, em contraste com o cobarde Daniel Miller, de Brooks. A história de amor entre eles é credível e refrescante. A atriz surge num cariz engraçado e charmoso neste registo.

  • “Doubt” (2008)

Ao adaptar a peça que lhe valeu o Pulitzer e um Tony, John Patrick Shanley ofereceu a Meryl Streep um dos papéis que mais gostei de a ver executar. A atriz interpreta a irmã Aloysius Beauvier, a diretora de uma escola católica que questiona a relação ambígua entre um padre (Philip Seymour Hoffman) e um aluno da escola. Por este desempenho, Streep ganhou o seu primeiro SAG Award para Melhor Atriz, mas perdeu o Oscar para Kate Winslet (com “The Reader”).

  • “Ricki and the Flash” (2015)

A melhor parte desta interpretação de Streep na pele de Ricki – uma dona de casa que abandona o marido (Kevin Kline) e os filhos, em Indiana, para se tornar uma estrela de rock em Los Angeles – é que ela nunca se incomoda em convencer-nos de que essa foi a decisão certa.

A atriz surge convincentemente despenteada, como uma criança selvagem de meia-idade que pode nunca ter crescido, mas que, no geral, é mais feliz a tocar num bar local do que a viver uma vida tradicional.

Só que, enquanto Ricki corre para casa para ajudar a filha mais velha, após uma tentativa de suicídio, Streep mantém a pressão entre o mundo antigo da personagem e a nova vida. Um debate animado, e em andamento, que se reflete nos olhos cansados ​​da atriz.

Pode não ser um filme de se lhe tirar o chapéu, e que, sem Streep, seria insignificante. Só que a atriz tem a arte de, a partir do irrelevante, conceber algo mágico.

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