Cryptozoo: Mitologia Psicadélica nos 60s

Numa segunda aventura pelo meio dos filmes, o escritor e desenhador de bandas-desenhadas indie Dash Shaw volta a aliar-se à diretora de animação Jane Samborski para nos trazer o mundo bizarro e encantador de Cryptozoo que surge cinco anos depois da sua primeira longa-metragem – a comédia animada My Entire High School Sinking Into the Sea.

O estilo visual de Shaw é propositadamente desprovido de lustro e perfeição nos acabamentos dos seus designs, mas isto não é sinónimo de falta de atenção aos pormenores. As suas personagens, apesar de desengonçadas no aspeto e desarticuladas nos movimentos, têm características nas formas dos seus corpos ou nas roupas que usam que lhes conferem um sentido de individualidade e as tornam memoráveis dentro do filme. Os fundos de grande parte das cenas são murais coloridos de tons vibrantes, por vezes intercalados com sequências e transições psicadélicas que combinam os temas da cultura hippie americana dos anos 60 com o misticismo do folclore dos “cryptids” – as criaturas míticas presentes do filme – em fantásticos efeitos caleidoscópicos.

Para conhecermos esta história passada no mundo misterioso onde os cryptids habitam seguimos Lauren Gray (Lake Bell), a veterinária Indiana Jonesiana que fez da sua missão de vida resgatar e proteger estas estranhas criaturas dos diversos perigos que as ameaçam. Desta vez, o seu objetivo passa por resgatar um “bakku”, um animal da mitologia japonesa que tem a capacidade de sugar sonhos e pesadelos da mente das pessoas, que agora corre o risco de cair nas mãos erradas e ser utilizado para propósitos militares. Lauren é ajudada por Phoebe (Angeliki Papoulia) , uma górgona que quer viver uma vida livre sem ter de esconder a sua identidade, e Joan (Grace Zabriskie), a líder e protetora do Cryptozoo – o santuário/jardim zoológico que alberga os animais resgatados por este grupo de ativistas.

Enquanto que a originalidade do desenho e animação se destacam por serem tão inventivas, a qualidade do enredo é marcada pelas características opostas. A história em si segue linhas bastante previsíveis e os dilemas ético-morais que explora são subdesenvolvidos, acabando por cair no cliché. Ao juntar personagens pouco estimulantes e interpretadas com um voice-acting monótono a diálogos pouco sofisticados (que por vezes parecem saídos de uma série juvenil educacional) temos uma narrativa que acaba por ser muito aborrecida de assistir.

Apesar de não ser perfeito, é sempre interessante espreitar este tipo de filmes e é bom ver que existem estúdios de produção e distribuidoras internacionais dispostos a dar uma oportunidade a artistas com um estilo pouco convencional como Dash Shaw. Será também curioso ver que tipo de evolução este cineasta poderá mostrar num próximo projeto.

Posts relacionados

I Know What You Did Last Summer: Primeiras Impressões

You – Temporada 3: Poderá esta relação ser salva nos subúrbios?

Sombra: Os rostos que não deixam de ser procurados