Candyman: A reinvenção do mito

Quando em 1992 fomos apresentados ao Candyman de Tony Todd, criou-se o mito e a lenda. 29 anos depois, Nia DaCosta, Jordan Peele e Win Rosenfeld trazem-nos a reinvenção do clássico de Clive Barker, «The Forbidden». Contamos com um argumento competente, atmosfera aterradora e uma realização que traz Nia DaCosta para a linha da frente como uma promessa do cinema.  Um conto original directo da antologia já conhecida «Books of Blood», será que esta reinvenção do mito de Candyman satisfez a audiência?

É raro o fã de terror que desconheça o mito de Candyman. Reza a lenda que, dizendo o nome cinco vezes ao espelho, um homem com um gancho em vez de mão aparece para nos matar. Mas Candyman é muito mais que isso. Neste clássico reinventado, com uma mão de Jordan Peele (Get Out, Us) acompanhamos um Candyman do século XXI, por entre questões de violência e racismo pouco ou nada dissimuladas.

Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen II) é um artista, que recentemente se mudou para um loft no bairro de Cabrini Green. Enquanto procura inspiração para a sua próxima série de pinturas, tem encontro acidental com um residente do bairro que o expõe à história por detrás do mito de Candyman. Desesperado por inspiração, Anthony põe tudo à prova, incluindo a sua própria vida, e abre uma porta para um passado complexo, que leva a sua sanidade ao limite.

Candyman não cansa nem se torna excessivo. Há cenas sangrentas quanto baste, e alguma acção, mas desengane-se o espectador que pensa ir ver um remake ou sequela exacta do filme de 1992. Um reboot talvez seja o rótulo mais interessante para o Candyman de 2021. A história relaciona-se nos aspectos que importam e ainda há algumas aparições surpresa que remontam ao clássico.

Claro que o filme está recheado de pequenos detalhes e easter-eggs (atentem no que lê William na lavandaria), e como não podia deixar de ser, crítica social. Nos filmes assinados ou semi assinados por Jordan Peele somos brindados e chamados constantemente à razão para as questões raciais, de supremacia branca, ou de gentrificação. A fórmula é raramente diferente no seu trabalho até à data, mas ainda assim resulta.

Uma pequena nota também tem de ser deixada para o elenco, que cumpre com os requisitos do filme de forma exímia. Todas as personagens se integram perfeitamente no seu lugar e a sincronia entre os actores é notória.

De uma forma geral, Candyman cumpre aquilo a que se propõe e ainda nos entrega mais um pouco, fazendo deste filme um must see.

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