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Alien: no espaço, ninguém te ouvirá gritar

by Miguel Pereira

O futuro é um conceito temido e desconhecido. Não porque achamos que será radicalmente diferente do presente, mas porque esperamos que esteja poluído pelos problemas atuais em formas que não conseguimos antever ou até combater.

O avanço tecnológico continua rapidamente – mas será que nos irá ultrapassar? Conseguiremos controlá-lo, ou irá desenvolver (ou, talvez pior, será controlada por aqueles com) motivações ocultas? Conglomerados corporativos rogam poder sobre preços baixos e eficiência em escala – enquanto exercem colossos económicos marcadamente desprovidos de quaisquer limites orgânicos de ética. Conseguiremos manter estas entidades massivas sob controlo?

A ciência está constantemente a descobrir novos organismos e a perceber como os controlar (ou destruir) – mas estes organismos também nos estudam e percebem, e adaptam-se de acordo. Conseguiremos ganhar uma eventual corrida contra a própria evolução?

‘Alien’ desenrola-se como uma combinação dantesca das inspirações de Ridley Scott: as práticas credíveis da vida no espaço vistas no ‘2001’, e a descida insana ao inescapável terror num lugar remoto de ‘Texas Chainsaw Massacre’. Poderá parecer uma casa assombrada em pleno espaço, mas não é apenas isso. É um estudo dos nossos medos mais primais.

A tensão é elevada ao construí-la lentamente num ambiente mais naturalista. São-nos mostrados todos os contornos da Nostromo ao percorrermos os seus corredores longos. Conhecemos a tripulação, e ouvimo-los a falar e a brigar casualmente. Nada de horrífico acontece até bem a meio do filme; é apenas mais um dia no escritório, logo todas as personagens são credíveis e não parecem ser dispensáveis, o que torna os seus destinos ainda mais imprevisíveis.

O mundo de ‘Alien’ contém tecnologia incomparável, mas é controlado por uma companhia louca por lucros e os seus capangas automatizados. Além de que toda a tecnologia e ciência se torna inútil perante uma besta quase imortal que tem ácido como sangue – literalmente um superinsecto. Quando o fogo primitivo é a ferramenta mais eficaz, o brilhante futuro escurece consideravelmente.

Quando vamos ao núcleo do filme, ‘Alien’ é um B-Movie feito com a sensibilidade de um AAA-Movie. A história incrivelmente simples, tratada com todo o carinho e atenção ao detalhe.

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