Home Novidades After Life T2: Como encontrar esperança numa vida mundana

After Life T2: Como encontrar esperança numa vida mundana

by Ricardo Brito

A segunda temporada de After Life, produzida e interpretada pelo comediante inglês, Ricky Gervais, apresenta-nos novos mecanismos de conseguir lidar com uma depressão e com a perda de um ente querido.

O luto e o suicídio são raramente abordados de forma tão integra como nos é apresentada na realidade das personagens que vivem e interagem na pequena cidade de Hemel Hempstead em Inglaterra. Estranhamente solarenga, a cidade que conta com uma redação jornalística e um cemitério como os epicentros da narrativa expõe que, muitas vezes, o inferno podem ser as pessoas e as expetativas que têm de nós.

Imerso na vida das pessoas que o rodeiam, Tony encontra outras desafios, que não os dele, que o sujeitam a encarar os seus próprios demónios como forma de sobrevivência. Desde as peculiaridades da vida de uma prostituta, Roxy, interpretada por Roisin Conaty, à precariedade laboral e insuficientes perspetivas futuras, Sandy (Mandeep Dhillon) apoia-se em Tony para conseguir contextualizar um futuro que lhe traga realização pessoal e profissional.

Uma das principais peças dramáticas centra-se na relação atípica entre Tony e o pai (David Bradley), que se encontra num lar a viver os seus últimos dias. Visivelmente incapacitado, a presença de Tony passa muitas vezes despercebida, tendo esta personagem problemas de memória. É nesta casa de repouso que Tony encontra um dos seus faróis em Emma (Ashley Jensen), uma enfermeira que, diariamente, acompanha o estado de saúde debilitado do pai.
As visitas de Tony ao lar são diárias e a aproximação entre este e Emma nasce como consequência de uma preocupação em comum. A cumplicidade entre ambos resulta de debilidades sociais que partilham e, mesmo antes de podermos antever qualquer cumplicidade amorosa, somos expostos ao nascimento de uma amizade pura, verdadeira e honesta.

© Netflix

A série transporta-nos para uma realidade pesada e muitas vezes difícil de confrontar. Olhamos para todas as personagens e conseguimos encontrar pontos de identificação seja nas dificuldades por que estão a passar como pelas ambições e perspetivas que conseguimos absorver.
Uma das grandes vitórias desta produção é o caracter humorístico que os criadores conseguem estampar um pouco por toda a série apesar do tom trágico do guião sempre aliado a uma banda sonora correspondente à realidade da trama.

Desengane-se o espetador que espere encontrar uma produção polida ao estilo de Hollywood e um elenco repleto de caras conhecidas do pequeno ecrã. Encontramos um guião simples, mas rico e transparente, sem subterfúgios ou tentativas de mudanças radicais do rumo da história, After Life é uma verdadeira personalização de uma série dramática.

Disponível na Netflix, os episódios de sensivelmente 30 minutos, absorvem o espectador instantaneamente e faz com que calcemos os sapatos de todas as pessoas que já passaram, e passam, por situações trágicas e de superação pessoal.

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