Home SériesSéries - StreamingApple TV+5 filmes subvalorizados de Martin Scorsese

5 filmes subvalorizados de Martin Scorsese

by João Pedro

Uma das melhores minisséries documentais deste ano é “Mr. Scorsese”, disponível na Apple TV. Destacamos 5 filmes do realizador que costumam ficar esquecidos no meio de tantos filmes icónicos.

Ao longo de uma carreira com mais de cinquenta anos, Martin Scorsese ofereceu alguns dos filmes mais influentes da história do cinema. Dos estudos psicológicos incríveis em torno dos personagens, passando pela contribuição notável que deu à abordagem do gangster, até aos dramas política e religiosamente carregados, os filmes de Scorsese raramente passaram despercebidos, somando elogios e polémicas.

Martin Scorsese foi presenteando o público com vários filmes que não escapam à maioria dos fãs da sétima arte. Não obstante, ao passo que “Taxi Driver “ou “Raging Bull” podem integrar o leque de trabalhos tremendamente conhecidos do cineasta, existem outros filmes do realizador que, efetivamente, não são tão abordados.

O top 5 que apresento neste artigo, é não só uma homenagem a Scorsese neste dia em que celebra o seu septuagésimo oitavo aniversário, mas também uma forma de escrever sobre alguns dos seus filmes que, a meu ver, podem passar despercebidos.

© United Artists

“New York, New York” (1977)

Já depois de “Taxi Driver”, Marty testou certos limites criativos quando criou um musical de mais de duas horas, com Robert De Niro a assumir a pele de saxofonista.

Ambientado após a Segunda Guerra Mundial, é uma espécie de “Star Is Born”.  Evoca o romance entre o saxofonista Jimmy (De Niro) e um cantora (Liza Minnelli), ao longo de muitos anos de sucesso , mesmo quando o próprio relacionamento termina .

O filme é longo, irregular e o personagem de De Niro é um pouco desagradável (devido aos problemas pessoais que o cineasta enfrentava na altura, podemos ver o filme como uma espécie de autorretrato, e é sem dúvida um trabalho que exalta uma das piores fases da vida de Scorsese).

Contudo, em alguns momentos, surgem cenas bem bonitas, como a homenagem a Vincente, o pai de Liza. Uma mistura de drama e cenários encenados acaba por ser uma dicotomia, mas que desafia o género musical. Pode ser uma das criações mais “imperfeitas” do realizador, mas merece ser vista.

© Universal Pictures

“The Last Temptation of Christ” (1988)

“The Color of Money” (1986) ajudou a restaurar a reputação de Scorsese com os estúdios, e, por conseguinte, foi também um apoio fulcral para que ele levasse a cabo um projeto pessoal de longa data – “The Last Temptation of Christ”, uma versão cinematográfica do romance de Nikos Kazantzakis.

O filme narra a vida de Jesus Cristo (Willem Dafoe), à medida que deixa de ser carpinteiro para se tornar o líder de uma nova ordem religiosa. Ao longo da história, salva Maria Madalena (Barbara Hershey) de uma multidão enfurecida, e acaba por enfrentar muitas tentações do diabo.

Por fim, Cristo é capturado e enviado para ser crucificado; antes de morrer, entretanto, passa por uma fantasia na qual pode viver o resto da sua vida como um homem “normal”, onde acaba por casar com Maria Madalena e ter filhos. No final, Cristo percebe que esta é apenas a tentação final do diabo, e regressa à cruz para cumprir o seu destino como Messias.

O romance de Kazantzakis foi altamente criticado, já que os cristãos evangélicos protestaram veementemente contra a representação de Cristo a interagir com os prazeres da carne humana, durante a o momento em que passava pela fantasia.

Willem Dafoe retrata Jesus e, desta feita, carrega o filme com a sua abordagem sobre um homem que luta, com a dúvida, para entender o seu lugar no universo. Scorsese podia ter um orçamento apertado, e viu-se forçado a dispensar a habitual sacola de truques; não obstante, parecia saber que o rosto de Dafoe era a única coisa que precisava realmente.

© Columbia Pictures

“The Age of Innocence” (1993)

Esta foi uma adaptação que Scorsese efetuou da obra, com o mesmo nome, de Edith Wharton. Efetivamente, talvez seja o filme mais “romântico” que o cineasta apresentou ao longo da sua carreira.

Ambientado em Nova Iorque durante a década de 1870, o filme aborda a vida de Newland Archer (Daniel Day-Lewis), um advogado de sucesso, noivo de uma menina de boas famílias, que se sente atraído pela Condessa Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer). É o retrato real de uma sociedade que nega a humanização em nome da “civilização”.

Day-Lewis e Pfeiffer (particularmente a atriz) são tão soberbos como poderíamos imaginar. O filme fervilha com o erotismo crescente entre eles. Scorsese atenua os floreados estilísticos, e, até longe da violência dos becos, consegue oferecer uma abordagem elegante.

© Touchstone Pictures

“Kundun” (1997)

Scorsese nunca foi de se esquivar a uma boa polémica, e “Kundun”, de 1997, é um bom exemplo disso. O filme é ambientado quase que por completo no Tibete, e narra a vida do décimo quarto Dalai Lama.

Efetivamente, é mais uma jornada espiritual do que um filme, mas Scorsese nunca compromete a importância das questões ou dos valores artísticos da obra. É uma experiência visualmente deslumbrante.

O cineasta troca as paisagens habituais do centro de Manhattan, pelas montanhas e campos do Leste Asiático. Adicionalmente, a banda sonora de Philip Glass é arrebatadora.

É fácil perceber que o desinteresse ou a apatia pelo assunto, escrito por Melissa Mathison (“ET the Extra-Terrestrial”) ao longo de sete anos e catorze rascunhos de argumentos diferentes, provocou indiferença no público. Todavia, nesta sua análise da história de um Dalai Lama, “Kundun” acaba por transpor uma imagem perfeitamente sólida e envolvente de Martin Scorsese.

©Paramount Pictures

“Bringing Out the Dead” (1999)

Este filme explora três noites miseráveis na vida do paramédico Frank Pierce (Nicolas Cage), que vagueia numa ambulância pela cidade de Nova Iorque, e encontra todos os tipos de personagens estranhos. Dentre eles, estão os seus parceiros de turno rotativo, interpretados por John Goodman, Ving Rhames e Tom Sizemore.

Frank não é um misantropo ao estilo de Travis Bickle, mas é atormentado pela insónia, tristeza e culpa, e é assombrado pelas memórias das vidas que não conseguiu salvar.

Cage é excelente neste papel, ao transformar a sua intensidade bipolar frequentemente difamada no retrato de um homem que está à beira da loucura. Aliás, o nível desta sua loucura acaba por ser o matrimónio perfeito com o filme.

No currículo, Scorsese nunca apresentou algo tão caótico como as cenas numa sala de urgências em Nova Iorque, com os pacientes a chorar de agonia, e as enfermeiras e médicos a sucumbir pelo cansaço.

Na lista de protagonistas torturados por Scorsese, Frank é o único que se esforça ativamente, sempre, pela redenção: ele quer mesmo salvar pessoas.

Apesar de toda a semelhança superficial com “Taxi Driver”, “Bringing Out the Dead” é algo totalmente diferente: é uma peça de cinema inesperadamente comovente e profundamente humana.

 “Mr. Scorsese” pode ser visto integralmente na Apple TV em 5 episódios, num total de 4h 45min de entrevistas, behind the scenes, factos e curiosidades.

Related News

Leave a Comment

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00