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VICE – Uma reflexão em forma de comédia

Coube a Vice a tarefa de ser o último filme disponível para visualização dos candidatos à estatueta mais desejada, o Óscar de Melhor Filme. Não é um filme Biopic comum, muito menos um filme de política banal.

Esta longa metragem tem como foco a vida de Dick Cheney (Christian Bale), o vice presidente de George W. Bush que foi considerado por muitos o verdadeiro líder e quem tomava as decisões mais radicais e com maior impacto no mundo e em especial no Médio Oriente.

Como em Big Short (“A Queda de Wall Street”) que lhe valeu um Óscar, o realizador e escritor Adam McKay usa um humor muito próprio, chegando mesmo em alguns casos a ser absurdo, para a trama toda fazer sentido. E acreditem logo nos primeiros segundos do filme somos brindados com ele e pelo meio até temos Shakespeare!

Já Christian Bale está irrepreensível e quase irreconhecível em mais um papel marcante para o qual teve de ganhar bastante peso e fazer exercícios específicos para o pescoço, para além do tom de voz e mudanças corporais como a maneira como ajeita a boca, em conformidade com o envelhecimento da sua personagem.

christian bale vice

 

O filme pega mesmo por aí, na transformação de um homem sem rumo que através das ameaças que a sua esposa Lynne (Amy Adams) fazia em relação a deixá-lo, até tornar-se num manipulador que conseguiu comandar uma nação como os Estados Unidos da América através do cargo de vice presidente (que até então era visto apenas como um posto representativo, ou simbólico como Dick lhe chama, e de pouca relevância nas decisões a tomar).

O filme mostra-nos mesmo isso desde cedo, Dick no início não tem carisma e é aí que surgem personagens a rodeá-lo de maneira a moldá-lo para o que vem aí, sendo Donald Rumsfeld (Steve Carrell) uma delas.

O filme trabalha muito bem este elo de ligação entre os três: Lynne é a mentora de Dick “dando” a este todos os seus sonhos e ideais políticos visto que na sociedade uma mulher na política era impossível. Donald por sua vez é quem Dick queria ser e como tal, é dele que vai retirar toda a sua personalidade e assertividade, que mais tarde usará para manipular George W. Bush (Sam Rockwell).

Adam tem o condão de tornar toda esta epopeia política, que no papel parece uma história enfadonha, em algo com um ritmo bastante agradável, muito graças ao uso de metáforas e analogias para explicar aos espectadores o que realmente está a acontecer.

Isso dá-nos a sensação de que saímos do cinema quase sem nenhuma dúvida do que acabámos de ver, mesmo quando até da constituição politica dos EUA se trata. Todas essas dinâmicas tornam o filme cativante, conseguindo mesmo ao longo dele explicar melhor todas estas movimentações de bastidores do que muitos documentários específicos no assunto em questão.

Mas nem tudo é perfeito. A parte final do filme, quando o nosso protagonista toma as tais decisões radicais, o filme tem uma toada mais séria e perde um pouco do brilho que veio a construir até então, podendo mesmo para alguns tornar-se enfadonho.

Contudo, mesmo já nas cenas finais, o filme regressa ao registo humorístico. (Há até mesmo uma cena pós créditos que deve pôr alguém que mora actualmente na casa Branca com os nervos à flor da pele!)

Vice é um filme que merece ser visto. Está justamente nomeado para o Óscar de Melhor Filme e mostra-nos que temas não tão badalados ou não tão apelativos podem ser representados no grande ecrã.

O filme rege-se sobretudo pelas suas boas interpretações sendo que o grande destaque vai para as mutações que Christian Bale tem ao longo da trama, sendo um sério candidato a ganhar o Óscar de Melhor Actor.

Review overview

Representação 7.5
Realização 8
Argumento 6
Caraterização 7.5
Fotografia 6

Summary

7 Rating

Ivo Gonçalves

The author Ivo Gonçalves