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Stranger Things 3: Uma temporada surpreendente e com muitas emoções

Regressamos a Hawkins, ao verão de 1985, para a terceira temporada de Stranger Things. Convém já avisar que esta análise vai ser da temporada no geral e que vai ter muitos spoilers para o final (com aviso, claro)!

Havia muitas expetativas para esta temporada. Já lá iam quase dois anos desde a estreia da segunda temporada e depois de vermos que esta terceira temporada se iria passar no verão de 1985, perto da altura do 4 de Julho, começámos logo a ficar entusiasmados.

O início desta temporada mostra-nos o que aconteceu em 1984 quando Eleven fechou a porta para o Mundo Inverso (Upside Down), revelando outra grande ameaça para esta série, algo que não contávamos.

Em 1985, algumas coisas estão diferentes porque também as personagens foram evoluindo. Como vimos na segunda temporada, Mike e Eleven são um casal, assim como Max e Lucas embora não pareça tanto. Dustin teve um mês fora e Will sente que os amigos já não são tão fãs de Dungeons & Dragons.

Nancy e Jonathan trabalham no jornal, Billy é nadador salvador, e Steve trabalha numa gelataria num centro de comercial novo que é agora a atração de Hawkins – o Starcourt. E claro que já estávamos a prever que este centro comercial iria ter um grande papel nesta temporada.

Começando pelas personagens, é incrível ver a evolução de cada um e de como isso se reflete nesta terceira temporada.

Falando dos casalinhos, ao início a relação melosa mas querida ao mesmo tempo (amor jovem!) de Mike e Eleven estava a chatear-me um pouco porque parecia que não ia passar muito daquilo mas depois lá também no meio de confusões, deu espaço para reforçarem amizades uns com os outros.

Tive pena inicialmente por ver que Dustin estava um bocado afastado do grupo mas depois percebi que só poderia ser desta maneira. Mas também gostei do facto de aproximarem mais Eleven e Max.

Um grande ponto positivo desta temporada foram duas das novas personagens – Robin (Maya Hawke, filha de Ethan Hawke e Uma Thurman) que trabalha com Steve no Ahoy e está sempre a gozar com ele por ser um fiasco a conquistar raparigas e claro, a irmã de Lucas, Erica, que é toda extrovertida e também bastante cómica, tendo mesmo chegado a dizer que não há “América sem Erica!” – perceberam?

Mas quem me surpreendeu mesmo foi Billy que aqui assume um papel super relevante, ao contrário do que tinha acontecido na temporada anterior em que nem tinha gostado assim tanto dele, e mostra que realmente tem talento para fazer tanto de bad guy como de good guy – para não me alongar muito.

Mas claro que é sempre bom ver Hopper super passado com Eleven porque ele quer que a filha esteja em segurança e com a porta aberta 8cm quando está com o Mike e Joyce que, embora esteja mais calma depois de tudo o que aconteceu, mesmo assim não deixa de estar alerta e sempre pronta para investigar.

Com isto tenho a dizer que tanto os mais novos como os mais velhos foram perfeitamente escolhidos para esta série e se tínhamos dúvidas em relação a algum deles, foram todas tiradas nesta temporada. Apesar disto, dos mais novos, quem brilhou mais foi Millie Bobby Brown que foi emotiva, foi divertida, foi dramática, teve girl power… fez um brilharete, fruto da evolução que já tinha falado.

Também fiquei totalmente maravilhada com a direcção artística desta temporada, quase que parecia saída de um filme. É sempre bom ver que se ajustam totalmente aos anos 80 seja nas roupas, nas lojas, nos produtos, nos acessórios, em tudo basicamente.

As personagens estavam super bem caraterizadas, com o mood dos 80 completamente contemplado – até quase que apetecia viver naquela época para poder comunicar via walkie-talkie! E super bem feita também a maquilhagem a representar os danos das lutas, porque sim, nesta série eles levam com um ataque e sangram, não há falhas nisso.

Adorei mesmo o facto de esta temporada ter tanta ação que às vezes me esquecia que estava um episódio novo a dar e que ainda nem tinha dado a introdução e já tinha acontecido imensa coisa. E o melhor disto é que embora tenha tido muita ação, houve sempre espaço para perceber a história para que não nos faltasse peças para completarmos o puzzle.

A banda sonora ajustada aos anos 80 como sempre com escolhas bastantes interessantes a incluirem Material Girl, Never Ending Story, entre outros êxitos é algo que nunca falta.

A partir de agora não continuem a ler se não tiverem sido como eu e tenham feito aquele binge-watching porque já não aguentavam mais a espera.

Os efeitos visuais estão lindíssimos, fiquei estupefacta e acho que se esmeraram mesmo. Toda a transformação do The Mind Flayer, todas as cenas com os ratos e com as pessoas a desfazerem-se para alimentarem o corpo do mesmo… Chegou mesmo a fazer-me impressão de tão bom que estavam! E o fogo de artifício nas cenas finais com o monstro, ESPETACULAR! Feliz 4 de Julho atrasado!

Embora tenha gostado da temporada inteira, realmente as cenas finais do último episódio foram as minhas preferidas porque teve de tudo: Teve Hopper, Joyce e Murray juntos a lutar com os espiões russos; Dustin a comunicar com a namorada Suzie com a Erica ao lado a ser sempre super para a frente; Nancy, Jonathan, Steve, Robin, Lucas, Will, Eleven, Max, Mike a lutarem contra o monstro (e contra Billy)… Tínhamos tudo ali.

E nunca pensei que podia estar tão emocionalmente agarrada a Hopper com o destino que ele teve. Chorei tanto mas tanto, e desde esse momento que não parei, especialmente quando Billy se sacrifica depois de Eleven conseguir chegar a ele… foi só triste, não sei. São duas personagens que não estava à espera ficar assim.

Lá está, acho que nunca chorei tanto numa temporada de ST como nesta. Já para não falar nas despedidas finais dos grupos, agora que os Byers + Eleven vão mudar-se para fora de Hawkins, e aquele discurso de Hopper que ele completou na folha do discurso para Mike e El… é muito dano emocional, confesso.

Mas, na cena pós-créditos (sim há uma no episódio final), ficou implícito que talvez ainda não tenha sido o fim de Hopper. Nessa cena, voltamos à Rússia e os guardas dizem especificamente “O americano não” quando oferecem um humano ao Demogorgon. “Americano” foi só o que passaram a temporada inteira a chamar a Jim…

Coincidências? Acho que não. Isto abre espaço para teorias (que já andei a ler) como ele ter atravessado a porta para o Mundo Inverno e não ter realmente morrido mas ter passado para o outro lado da porta que ia dar à Rússia? Digam-me as vossas.

Por isso, é bom ver que esta cena introduz de certa forma a quarta temporada visto que os russos têm o Demogorgon e possivelmente o Jim. O que virá ao certo daí, não sei, mas sei que nesta temporada tenho de elogiar todos, porque  no primeiro binge-watching, não posso dizer que houve alguma coisa que não gostei.

Se a quarta temporada for tão boa como esta… que venha ela que estamos preparados! (ainda não emocionalmente, mas dêem-nos um tempo).

Review overview

Representação 9.3
Realização 9
Argumento 8.7
Fotografia 9
Banda Sonora 9
Efeitos Visuais 9.5

Summary

9.1 Rating

Tags : análisecríticamillie bobby brownstranger thingstemporada 3
Beatriz Silva

The author Beatriz Silva

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