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Séries

T.8, Ep. 5 | “The Bells”: Fogo, sangue e traições

O penúltimo episódio de Game of Thrones, “The Bells”, foi prevísivel e inesperado ao mesmo tempo, está muito bem realizado mas o argumento ficou aquém das expetativas.

Finalmente, temos um episódio muito mais entusiasmante mas, mesmo assim, não deixa de ter as suas falhas e pressas, como já tem sido habitual nesta temporada, para desagrado dos fãs.

Percebemos que o segredo de Jon se está a espalhar cada vez mais depressa e que Varys começa a enviar cartas a anunciar Jon como o verdadeiro herdeiro ao trono, tal como Ned Stark tinha feito na primeira temporada ao dizer que Joffrey não era filho de Robert.

Varys já sabia que ia morrer em Westeros e especialmente já sabia que Dany se descobrisse, ia queimá-lo vivo.  Depois de Tyrion lhe contar que Varys a traiu, ela diz que no fundo foi Jon que a traiu porque ela disse para ele não contar nada. Mas ela não vai fazer nada a Jon, como é óbvio.

Portanto e com base nesta traição (e inclusivé depois de percebermos que tentou envenenar a rainha), Varys é queimado vivo, logo nos momentos iniciais do episódio, mas não antes de se despedir de Tyrion referindo-se a ele como “velho amigo”.

Isto deixa-me realmente chateada. Como é que uma personagem que sempre teve tanto impacto na história dos tronos, mesmo não sendo a principal, morre assim? Ele era o Mestre dos Segredos, não era qualquer um. Uma morte demasiado apressada só para concluir a personagem.

Ainda assim, acredito que ele tenha mandado algumas cartas estratégicas e que possa ter deixado veneno nos anéis para Tyrion, segundo algumas teorias, tal como tinha sido feito com o veneno na morte de Joffrey.

Curioso ver que tanto Dany como Cersei usam os seus vestidos vermelhos neste episódio. Depois de um momento com Grey Worm em que claramente se percebe que eles estão alinhados nas intenções da guerra, Dany tenta perceber num momento a sós com Jon se ele ainda sente o mesmo por ela.

Não é que não sinta amor por ela,mas simplesmente ele não alinha nisso do envolver-se com a tia. Ela diz-lhe que tem medo e que não tem amor ali, mas quando Jon a rejeita ela diz mesmo “Está bem. Que seja medo, então”. Uma escolha interessante de palavras por parte dela, especialmente com tudo o que vai acontecer.

Tyrion lá tenta chamar a atenção de Dany pedindo-lhe que ao menos ela deixe que a cidade toque os sinos em King’s Landing como sinal de rendição, para evitar um massacre. Ela aceita mas também lhe diz que Jaime foi capturado a ir ter com Cersei e que se Tyrion a volta a trair, será a sua última traição.

Jaime claramente que voltou para morrer com a irmã e Tyrion sabe disso. Tyrion liberta-o e diz para Jaime pegar em Cersei e a levar para a cripta onde guardam os crânios dos dragões, desde que Joffrey decidiu isso, e para começar uma nova vida. Fá-lo porque Jaime foi o único que não o viu como um monstro.

Ficamos sempre empolgados quando vemos Arya e The Hound que agora seguem juntos para Kings Landing e acabam mesmo por entrar (conseguimos temer mais estes dois do que qualquer exército!), juntamente com Jaime que também tenta entrar por ali adentro passando pela Golden Company.

Euron tem a sua frota à espera que algo aconteça até que começa a ouvir algo. Encobrida pelo sol, o inevitável acontece. Dany aparece com Drogon para destruir toda a frota de Euron e todos os scorpions, armas que mataram o seu segundo filho, Rhaegal.

Claro que ficamos felizes que ela tenha sido capaz de destruir a frota inimiga toda. Mas…  agora já nenhuma seta atinge o Drogon? Bem, passando à frente.

Depois de tudo, e de se certificar que a frota tinha sido queimada, está na altura de queimar os portões de Kings Landing, mesmo por trás da Golden Company que não esperava por isto, e é ai que os Unsullied e Dothraki avançam para a luta, entrando na Fortaleza Vermelha.

Cersei assiste do alto a toda a destruição e mesmo vendo que todos os seus planos estão a falhar, não quer aceitar isso.

Entretanto o “esperado” acontece. Toda a gente se rende, ouvimos os sinos a tocar mas no entanto vemos em Dany um olhar sobre Kings Landing como a terra que lhe foi tirada e que nunca foi propriamente boa para ela.

Como tal, naquele momento, ela decide avançar sobre a capital e dar numa de “burn them all”, para espanto de Jon e de nós todos sinceramente. Achávamos que Dany ia dar a mão aos inocentes e se eles se revoltassem, seria como os que a rejeitaram.

Ela tinha falado inclusivé de misericórdia e agora passa-se completamente e começa a queimar tudo? Andamos a construir uma personagem durante sete temporadas para isto? Por um lado, é perceptível. Ela está farta de perder e não tem retorno nenhum bom. Mas por outro, podemos considerar que estão a dar cabo do plot em volta desta personagem.

Também Grey Worm se passa e começa a matar os inocentes que se renderam e todas as pessoas de KL que nada tinham a ver com aquilo. Dany assume aqui as palavras da sua casa, “Fire & Blood” e de certa forma, ela e Grey Worm estão a cumprir com os desejos de Missandei.

Deixem-me já referir que toda a cena de Dany a queimar a frota é lindíssima de se ver de tão bem realizada que está e devido a todos os planos que escolheram. Isso e até mesmo a destruição de KLanding inteiro está impactante e deixa-nos angustiados.

Há toda uma cena desnecessária que, realmente, ninguém pediu que é o encontro entre Euron Greyjoy e Jaime Lannister. Serve basicamente isto tudo para Euron dizer que esteve com Cersei. NÃO QUEREMOS SABER DISTO NO MEIO DE UMA BATALHA.

Até pode ter sido para selar o destino de Jaime ali com aquelas facadas mas… c’mon.

Temos um momento bastante emocional entre Arya e The Hound que chegam à sala do mapa de Cersei e ele vira-se para Arya e diz-lhe que ela tem de ir embora, porque se ficar ali, no meio de tudo a desabar ela vai morrer e que ela não quer ficar como ele.

Por alguma razão mais sentimental, isto faz o click na Arya que até ao início do episódio tinha uma ideia muito firme de matar a Cersei. Mas no entanto, ela talvez perceba que aconteça o que acontecer, Cersei não se vai safar e ela também não quer ficar como o The Hound. E é aqui que ela se vira para ele e chama-lhe “Sandor” – que acho que nunca ninguém o fez, muito menos ela – e agradece-lhe.

Ela tornou-se quem é hoje depois da morte do pai. Agora que outro pai para ela está prestes a morrer, ela não quer passar por tudo outra vez. E sabe que o nome do The Mountain cabe a Sandor riscá-lo.

E é mesmo isso que acontece. Fan service ou não, FINALMENTE, o Cleganebowl acontece num momento épico. Qyburn ao tentar que The Mountain fique ao lado da rainha, fica com a cabeça esmagada (o monstro mata o criador), Cersei pira-se de esguelha e a luta começa.

Vemos pela primeira vez como é que Gregor ficou depois das experiências que fizeram com ele, e é simplesmente pavoroso. Lembro-me de soltar um “ai que horror” quando vi pela primeira vez. Sandor bem tenta esfaquear o irmão várias vezes que parece que não morre.

No golpe típico de Gregor, começa a meter os dedos nos olhos de Sandor, como fez com Oberyn, para esmagar a cabeça do irmão, mas Sandor espeta-lhe a adaga no olho (que faz lembrar quando Arya lhe disse que lhe ia fazer o mesmo).

Mais do que ter medo do fogo, The Hound tinha “medo” do Mountain e queria vingança. Então agarra nele e cai do abismo para o fogo, começando e acabando a história destas duas personagens da melhor maneira. Um momento ÉPICO que gostávamos que fosse mais longo!

Ao mesmo tempo que viamos Sandor a sofrer, a par e passo a imagem cortava para Arya a tentar sobreviver no meio dos inocentes que estavam a ser queimados. Ele caía, ela caía, ele era abalroado, ela também. Acima de tudo sentia-se sufoco ao ver estas cenas, algo que ainda não se tinha sentido nesta temporada.

Um paralelismo muito bem feito entre os dois e até os realizadores explicaram no Inside the Episode que optaram por seguir a Arya durante a batalha porque é mais sentimental vermos uma personagem que gostamos e que conhecemos a sofrer do que inúmeras pessoas.

Jaime e Cersei entretanto encontram-se, abraçam-se, tudo muito lindo e romântico, vão para as criptas que estão encurraladas e não dá para fugir, está tudo a desabar e Cersei diz que não quer morrer e que quer que o bebé viva mas Jaime diz que só eles os dois importam e… FIM.

ESTAMOS A FALAR A SÉRIO? Eu sei que é tudo muito giro de eles morrerem juntos porque estava destinado, blá blá blá. Mas andamos novamente a construir a personagem de Jaime durante sete temporadas, um caminho de redenção para ele voltar a cometer os mesmos erros? O que foi aquilo tudo com a Brienne então?

E da Cersei nem comento. Uma personagem que foi tão brilhantemente construída ao longo dos tempos, tem aqui e muito bem, um momento de fraqueza, ela tem medo que algo lhe aconteça, mais do que já teve na sua vida e… tem uma morte que para além de rápida, nem deu satisfação nenhuma? Tudo o que havia de teorias para Cersei ter a morte que merecia, foi por KLanding abaixo.

Nunca mais vemos Dany, só Drogon mas vamos acompanhando Arya que tenta salvar uma mulher e uma criança com um cavalo branco, tal como ela a salvou mas acaba por não conseguir.

A pequena Stark olha agora para a destruição toda e para o dragão com uma raiva que reconhecemos. Ela nem precisa de dizer um nome para sabermos que ela mentalmente adicionou Daenerys Targaryen à lista. Ela não está a saber lidar sem se revoltar com o que está a acontecer.

Rodeada de cinzas a cair do céu, Arya vê um cavalo branco. Há quem diga que simboliza o Cavaleiro do Apocalipse que representa a Morte e que monta um cavalo branco. Há quem diga que foi Bran que fez um warg no cavalo para ajudar Arya. Não sabemos mas há mais algumas coisas que temos para dizer.

O cavalo branco pode realmente representar a Dany porque foi um cavalo igual que ela recebeu quando foi vendida aos dothraki. A miúda que não conseguiu salvar tinha um cavalo branco na mão como brinquedo (que faz lembrar um pouco a Shireen que também tinha um).

O Bran já tinha visto na segunda temporada que um dragão ia sobrevoar King’s Landing embora na altura não tivéssemos ligado muito a isso. E até Dany já tinha tido uma visão na House of Undying da sala do trono destruída com o que parecia ser neve a cair. Agora pensamos que talvez poderão ser cinzas.

E quem sabe, a Arya ainda vai fechar os olhos verdes de outra pessoa que não a Cersei.

A destacar neste episódio Emilia Clarke que tem uma representação fantástica com o argumento que lhe dão, Maisie Williams e Peter Dinklage!

 

Beatriz Silva

The author Beatriz Silva