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Extremely Wicked Shockingly Evil and Vile: A arte da sedução mascarada de manipulação

Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile é realizado por Joe Berlinger e retrata a história do serial killer Ted Bundy, condenado à morte pelo assassinato de duas raparigas, com as mesmas palavras que dão nome ao filme. Estreia hoje nos cinemas portugueses. 

Este filme é o exemplo de uma produção da Netflix que tinha potencial para melhor mas também que Zac Efron pode ser muito mais.

O nome deste filme provém de uma das sessões do mediático julgamento de Ted Bundy (Zac Efron), onde o juiz Edward Cowart (John Malkovich) usa a aterradora frase para descrever o que o arguido fez às suas jovens vitimas estudantes universitárias.

O julgamento decorreu em 1979 e foi especialmente mediático porque foi o primeiro a ter direitos de transmissão televisiva. O interesse deveu-se sobretudo à divisão de opiniões sobre o arguido, pois de um lado estavam as pessoas que tinham certeza da sua culpa nos crimes horrendos e para sustentar essa opinião todas as provas incriminavam Ted.

Por outro lado, este tinha o apoio de jovens do sexo feminino muito devido ao seu charme e o carisma que o levaram a dispensar advogado e ele próprio defender-se da acusação.

A Netflix tenta transmitir-nos essa sensação ao longo do filme, faz-nos sobretudo acreditar na versão de Ted dos acontecimentos, em certos momentos chegamos mesmo ao ponto de quase querermos que a personagem consiga sair desta situação. Muito destes momentos devem-se à grande interpretação de Zac Efron. Não tanto à grandiosidade em si, mas em provar que o actor consegue fazer muito bem este tipo de papéis.

À medida que o filme vai avançando começamos a perceber o porquê de Zac para o papel, longe do seu registo humorístico habitual, as suas feições e expressões alienado à personalidade sedutora de Ted Bundy transformam-no em alguém manipulador, demoníaco e sobretudo aterrador. O ator consegue neste filme uma interpretação credível e muito provavelmente a melhor da carreira, podendo mesmo levá-lo a outros patamares.

O filme tem como base o livro da companheira de Bundy, Elizabeth (Lily Collins) que conta como viveu com um monstro ao seu lado, contudo, esta adaptação segue muito mais a história de Ted do que a versão dos acontecimentos de Elizabeth descritos no tal livro.

Um dos pontos fracos do filme é a demasia das cenas amorosas entre o casal descritas no livro que são muito mal-adaptadas ao filme chegando mesmo a roçar o ridículo. Faltou também mais protagonismo e exploração da história de Elizabeth pois, para além de ser com base no livro dela, as cenas resumem-se a excessos de álcool e a incapacidade de viver durante as sessões de julgamento de Ted, ficando na incógnita como foi a sua recuperação entre o fim do julgamento e as cenas finais.

 

O filme tem um especial cuidado com os acontecimentos e pequenos pormenores, exemplo disso é que nas semanas que antecederam a estreia do filme, a Netflix lançou um documentário sobre Bundy, onde é possível ver a tal entrevista concedida na prisão e as sessões de julgamento (também é possível ver excertos de imagens reais durante os créditos).

Aqui, o realizador Joe Berlinger é fiel às imagens originais desde o guarda-roupa aos cenários. Tudo é tratado com extremo cuidado ao ponto de não termos dúvidas nenhumas que o filme se passa na década de 70.

O filme vive sobretudo do trabalho de Zac Efron que tentou e conseguiu dar o melhor de si, contudo todo o resto parece alguns (muitos?!) furos abaixo. Tendo em conta que se trata de uma obra de Elizabeth, esta parece que foi remetida para um segundo plano e assim ficamos sem saber como recuperou do trauma e se reergueu no final do filme. Assim parece que o efeito Bundy passou mesmo para os responsáveis deste filme pois dá a sensação que ficaram manipulados por tal personagem deixando tudo para trás, transformando quase num filme de julgamento.

Review overview

Representação 7
Realização 6
Argumento 5
Fotografia 6.5
Banda Sonora 6

Summary

6.1 Rating

Ivo Gonçalves

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