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Em Cannes, todos aplaudiram Spike Lee e o seu “BlacKkKlansman” durante mais de 10 minutos. O filme é inspirado na história verídica de Ron Stallworth.

É uma história de poder: sobre os que têm demasiado e os que não têm nenhum mas que o reclamam para todas as pessoas.

“BlacKkKlansman” é daqueles filmes que nos mostra que andamos a repetir os erros que já devíamos ter aprendido a não cometer com a história e ganha ainda mais força por ser inspirado em acontecimentos reais que facilmente se transpõem para a actualidade.

Esta é a história de Ron Stallworth, representado por John David Washington (filho de Denzel Washington), que se tornou no primeiro polícia afro-americano de Colorado Springs. Com o desejo de ser detetive infiltrado, consegue a sua primeira investigação ao responder a um anúncio no jornal do Ku Klux Klan.

BlacKkKlansman

Via telefone, Ron consegue convencer os membros do KKK de que é um americano de “raça branca pura”, racista e antissemita, o que chama a atenção do clã por ser tudo o que eles andam a procura conforme o que “pregam”.

O problema surge quando eles querem conhecer pessoalmente a voz por trás da chamada, e Ron, sendo negro – personificação do que o KKK odeia -, precisa de alguém que o represente.

Para tal, pede a ajuda ao colega dos narcóticos Flip Zimmerman (Adam Driver) para se fazer passar por ele. Mas como qualquer investigação com agentes infiltrados, há sempre demasiados riscos caso sejam descobertos.

A par e passo com os acontecimentos, no filme, Ron chega a desenvolver um relacionamento com Patrice Dumas (Laura Harrier), uma rapariga que defende com unhas e dentes o movimento “Black Power”, embora isto não tenha acontecido mesmo.

Aos poucos, os dois polícias, vão conquistando toda a Organização, como se intitula o KKK, inclusive o director nacional David Duke (Topher Grace) que, numa cena ao falar com Ron ao telefone, diz que ele não pode ser negro porque fala bem inglês, ensinando-lhe um exemplo de como é que ele pode distinguir.

É nestes momentos que se nota que Spike Lee não tem receio de ridicularizar algumas situações e algumas crenças e que se encontra revoltado, sendo a sua descarga de raiva e repugnância no filme “The Birth of a Nation” de D.W. Griffith, usado em algumas partes ligadas ao KKK.

Aposta também numa realização a lembrar os filmes da década de 70, para fazer jus à data em que se passa a investigação, e ainda no argumento como caricatura mas com um discurso poderoso.

O filme só peca no facto de parecer mais longo do que é na realidade e isso deve-se a algumas cenas demasiado extensas. É perceptível o porquê de elas existirem, porém se tivessem sido encurtadas, não se perdia o contexto.

Este é um filme que pode ser facilmente considerado um ataque ao “tipo na Casa Branca”, como o realizador referiu em Cannes, e uma chamada de atenção para a violência que se assiste hoje em dia.

Depois de 2 horas fortes pelo argumento que tem, assistir às imagens que o realizador optou por usar no fim é simplesmente arrebatador e dificilmente haverá alguém a conseguir exprimir uma palavra quando os créditos começarem a passar.

Spike Lee referiu mesmo que não está interessado se falam mal do filme, e que não está preocupado com os Óscares, apenas que quer que o filme fique na história. E é mais do que certo que vai ser uma grande referência quando se falar neste tema.

 

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Review overview

Representação 9
Realização 9
Argumento 8.5
Banda Sonora 8.5
Fotografia 9

Summary

8.8 Rating

Tags : adam driverblackkklansmanCinemacríticadramafilmejohn david washingtonjordan peelemoviereviewspike lee
The Golden Take

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