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“A Vigilante” é um thriller emocionante, protagonizado por Olivia Wilde, que demonstra que o trauma emocional costuma ser mais difícil de superar do que as meras feridas físicas.

“A Vigilante” é um drama pequeno, mas fascinante, sobre uma mulher que escolhe uma maneira drástica de combater a violência doméstica. Enquanto exalta uma atitude austera, o filme funciona como um estudo de caráter contido, mas intenso, com subtis toques humanos a serem apreciados, e passamos a entender a sua heroína mesmo quando a observamos à distância.

Quando somos apresentados a Sadie (Olivia Wilde), no início do filme, ela está pronta a desempenhar um último “trabalho”. Efectivamente, Sadie desempenha o seu ofício com uma tranquilidade desmedida e clínica. Uma vez que está totalmente preparada, vai até à casa de uma cliente, uma mulher que sofre de violência por parte do marido há vários anos.

Logo depois de cometer o erro tremendo de a subestimar, o sujeito é forçado a seguir todos os pedidos de Sadie, e a sua cliente, que parece muito mais aliviada do que antes por estar totalmente livre do seu marido, entrega-lhe uma quantia avultada de dinheiro.

Embora pareça exausta por protagonizar uma demanda fria e impiedosa onde reina a violência, Sadie continua sempre a receber pedidos de ajuda. Na sua luta contra a violência doméstica, os seus alvos maioritários são homens, todavia, não abre qualquer excepção.

Nessa perspectiva, acaba por lidar com uma situação em que uma mulher maltrata os seus dois filhos e, consequentemente, temos outro momento desconfortável de violência.

Através de uma série de cenas de flashback, o filme revela gradualmente o que tem alimentado a tendência violenta de Sadie. Quando a vemos a participar numa reunião para sobreviventes do abuso feminino, ela permanece quieta e distante enquanto as outras mulheres relatam as suas experiências de abuso.

Não obstante, a dada altura, Sadie acaba por relatar a sua história, cujo protagonista é o filho, e esse é o momento mais angustiante do filme.

Para lidar com a dor e o trauma a que foi subjugada, dizem-lhe que deve tomar uma atitude ativa, ao invés de viver de forma melancólica. Desta feita, é assim que a personagem decide começar a operar na condição de vigilante, e ajudar aqueles que sofrem de abusos.

Ao mesmo tempo, tenta também resolver um assunto pessoal. Adicionalmente, a sua prioridade passa por encontrar o ex marido, que desapareceu logo após o terrível incidente relacionado com o filho de ambos.

Alguns poderão questionar o rumo do filme mas, em boa verdade, acaba por evitar qualquer chance de emoção barata ou catarse. Embora existam vários momentos tensos durante o último ato, a longa-metragem mantém um tom discreto sem qualquer momento gratuito, e o resultado geral é tão poderoso como “You Were Never Really Here”, de Lynne Ramsay (2017), que é, aliás, outro filme intenso sobre uma figura violenta e traumatizada.

No resultado final, as atenções viram-se quase por completo para o estado mental da sua heroína, e Olivia Wilde, que oferece uma performance sólida. Ao retratar a personagem de forma determinada como lhe é exigido, Wilde faz um trabalho louvável de revelar a força e a vulnerabilidade de Sadie.

olivia wilde sadie a vigilante

“A Vigilante” é o primeiro filme da realizadora e argumentista Sarah Daggar-Nickson. No passado, efetuou somente duas curtas-metragens, porém, provou aqui que é uma cineasta que sabe manter a atenção do público através narrativa.

Para além disso, a juntar a Wilde, é pertinente deixar uma nota de destaque para Betsy Aidem e CJ Wilson, que são eficazes nas suas breves participações durante a parte inicial do filme. Tonye Patano faz um desempenho gentil como um conselheiro atencioso para Sadie e as outras vítimas, sendo que Morgan Spector comporta um tom arrepiante para o seu personagem.

Review overview

Representação 7.5
Realização 6.8
Argumento 7
Fotografia 6.7
Banda Sonora 6.5

Summary

6.9 Rating

Tags : a vigilantecrimecríticaDramafilmemistérioolivia wildesarah daggar-nicksonThriller
João Pedro

The author João Pedro

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